Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Uma informação importante

Ou nem por isso. Os que me seguem são poucos, mas merecem a minha atenção e uma justificação pela minha relativa ausência deste espaço. Não quero terminar aqui este projecto, mas, no momento que corre, não estou nas melhores condições para escrever e penso até que os meus últimos textos têm descido a pique de qualidade, portanto, apesar de estar a decorrer o concurso "Blogs de 2011", vou ausentar-me um pouco, como autora, deste espaço. Continuarei a postar textos com os quais me identifico, mas muito provavelmente, pouco mais do que isso. 

Obviamente que me explico... Sucede-se que, quem me lê ou quem me conhece, sabe que sou professora, não com muito orgulho, no momento em que estamos, mas sou. Sou jovem, portanto, o tenpo de serviço que tenho acumulado, tem sido uma sorte e simultaneamente um sacrifício. Já para não falar que a minha variante (Latim e Grego) desapareceu e a Pós-Graduação que tirei em Educação Especial serviu apenas para entreter um pouco os miúdos com deficiência, porque tenho vindo a cair a em resvalo nas listas de ordenação e o tempo de serviço na área, poucas escolas o valorizam... Em três anos em que tive o prazer de leccionar, só num fiquei colocada no início do ano, nos outros, Janeiro foi o marco e qualquer tentativa de procura de emprego noutras áreas tem sido, no mínimo infrutífera. Já me conformei, tenho a maior das sortes em vários aspectos, outro tanto azar noutros, mas na vida profissional é um resvalo atrás de outro e uma luta constante que nunca se avizinha fácil. Muitas frustrações e sentimentos de impotência do tamanho de nós próprios. A existência dos compadrios, a frieza com que somo tratados como números ano após ano desumanizou esta profissão que eu amava tanto. E sabem que mais? Acho que não sei fazer mais nada... trabalho com pessoas com deficiência desde que me conheço e sinto que encontrei o meu nicho, o meu verdadeiro dom e negam-mo, não posso trabalhá-lo nem hoje, nem amanhã, nem aqui, nem em Angola. Nem umas míseras explicações e apoios consigo...

Quem me lê sabe o tamanho da minha razão e das minhas emoções e porventura consegue sentir e pensar o mesmo que eu, saberá como. de momento, uma sensação de inutilidade se abala sobre mim. É como se agora tivesse de esperar que o tempo resolvesse o que já tentei infinitamente resolver e simplesmente não consigo. Não sou uma pessoa negativa, sou uma pessoa de emoções, de riso fácil e de choro espontâneo, mas no momento em que me encontro, ruí. Ruí que nem uma muralha de um Castelo majestoso... aliás, passa-se o mesmo que nessa mesma muralha... as memórias dos momentos áureos, as lutas marcadas nas pedras e o cansaço da erosão que os tempos e as batalhas infligiram em mim. 

Sofro de um problema enorme, da falta de oportunidades e não sei se tão cedo encontrarei remédio para ele. Não invejo ninguém, tenho os maiores dos defeitos, mas não invejo com malícia, só invejo a sorte, não queria as aquisições dos outros, apenas as mesmas oportunidades de lutar por elas, mas antes mesmo de se iniciar a corrida, já a perdi e isso causa, em qualquer humano, uma sensação incomportável de pequenez e de impotência... e daí, as toalhas terem caído ao chão e até mesmo a escrita me falhe. Não há vontade, apenas a inércia e a contagem dos minutos, para ver finalmente, ao fim de um dia de solidão, uma cara sorridente...

Falha-me muito o bom censo e encho-me da coragem que não tinha, para me afastar de tudo e de todos para tentar uma melhoria de vida... mas já sem acreditar nisso e apenas por descargo de consciência.

E no meio de toda esta convulsão, já não me encontro. É mesmo assim, as experiências dão-nos sempre tanto quanto nos tiram e saímos sempre mudados, alterados... apenas receio que não seja para melhor.

E por todos os motivos que aqui exponho em desatino, penso que não terei grandes capacidades para escrever e se, de alguma forma, ler-me vos dava algum prazer, peço muita desculpa e prometo tentar compor-me da melhor forma, mas neste momento, sinto a quebrar-me e acho que ainda passarei algum tempo a apanhar os cacos e a compor-me...

Um abraço bem apertado

A. Rocha

2 Reflexões:

angie disse...

Não gosto de te ver assim desanimada... Mas, de facto, depois de tudo o que escreveste, é difícil não desanimar...
Arranja um tempinho e vem passar um fim de semana a Pombal. Estamos à vossa espera.
Beijinho grande

Medeia disse...

Olá Angie... é mesmo assim, a vida é de altos e baixos, para alguns mais de altos do que de baixos e, no momento em que nos conformamos com isso, nem sempre é fácil impedir que os sorrisos se apaguem... e está a ser difícil, de facto. Quando me sentir melhorzinha, fazemo-vos uma visita... beijinhos