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domingo, 1 de maio de 2011

...

Se ao menos as nossas diferenças não nos separassem tanto... seríamos eternos amigos e companheiros de viagem...
Talvez nos voltemos a encontrar quando o teu timoneiro perder a voz e tornes ao que primeiramente nos aproximou...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Binómio da morte

Entrei naquela porta, esfreguei quantas vezes pude os olhos perante visão tão aterradora: três mulheres fiando a vida dos Homens. Congratulam-se com a ideia de que podem construir e destruir a vida humana como um castelo de cartas. As gargalhadas que ecoam abafam os choros vindos do fuso... Ao longo daquela linha que teciam, ouve-se um rumor inebriante de vozes que se misturam e tecem a felicidade, o sofrimento, a esperança que laçam o fio que para cada um é construído e que marca todos os aqueles que nele se entrelaçam... mas quando a menos se espera, aquela que segura a tesoura corta aquele fio que julgara tão curto entoa... "chegaste cedo mortal...?!"

Imersa num mar de gente, olha de soslaio a cada passo incerto que dá... Pergunta, na dúvida que alguém lhe responderá de volta, pelos rostos que havia perdido no meio do rumor. Do nada, tanto eram muitos, como perdidos na multidão, passaram a ser poucos, imersos num bando de gente sem cara. Mudos, resguardados no silêncio que os tomou, grita pelos nomes que já nem mesmo se recorda como se pronunciam e nem um silêncio apaziguador recebe de volta... Tenta reconhecer algum rosto... mas já não consegue arrancá-los da sua memória... largou as mãos que em força tentara conservar e não sabe mais como retoma-las... Perdeu-as? Roubou-as o destino?


À medida que o tempo passa, que as contingências da vida adulta nos levam à exaustão inadiável, os amigos que vão permanecendo, são aqueles que, invariavelmente, nos querem bem. Acomodamo-nos à segurança de amizades tão maduras, que descuramos e tomamos por garantida a presença deste entes queridos. A verdade é que, não tarda, as tristes Parcas nos pregam uma partida e quase nos arrebatam, dos nossos caminhos, aqueles que mais prezamos. Num ápice, em razão de segundos, aquela presença que tomámos por garantida, desvanece, torna-se viva apenas na nossa memória e nada podemos fazer para recuperar os momentos que por algum cansaço ou azáfama, se perderam... Por isso, na iminência de perder alguém, afirmo: valorizem cada momento e cada pessoa que ocupe um espaço especial nos vossos corações, e valorizem cada um desses instantes como se do último se tratasse... nunca se sabe se não haverá amanhã... Ainda bem que hoje, esse amanhã existe para ti, para nós...



Salvador Dali - O cavaleiro da Morte (http://www.mestresdapintura.com.br/loja/cavaleiro-da-mortesalvador-dali-p-2356.html?osCsid=2067b4106291ba9a2d3d9a9b70c2d001)

Ao Pedro...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Porquê o silêncio...?

Porque o silêncio é sempre melhor... porque o silêncio não nos agride, não nos relembra, não nos repreende, não nos acusa, não nos toma o tempo em gritarias... porque é mudo... o silêncio. Porque o silêncio nos cinge o pensamento e no silêncio e no espaço que nos afasta, temos tudo o que precisamos para ser gente inconsciente. Porque no silêncio e no afastamento que nos toma, as palavras não são necessárias e as contingências que nos obrigariam a ser cordiais se desvanecem, colocando-nos num ponto bem baixo nas nossas expectativas. Porque o silêncio afasta a claridade, afasta o som das gargalhadas, o tumulto da nossa impaciência e torna as emoções ambivalentes, existem, afirmamos possuí-las, trasnportamo-las bem dentro do nosso coração (dizemos)... mas não sabemos demonstrá-las...(não sei bem onde as guardei) porque num silêncio que não é apaziguador, as amizades não se falam... e na indiferença de um olhar, não há laço que resista incólume...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Friends will be friends...

A amizade é um daqueles relacionamentos que, ao longo da vida, se tornam mais importantes. Quando o amor familiar e a paixão se mostram constantes, este é o relacionamento que vamos cativando e preservando à medida que o tempo passa. Os amigos que se mantêm, apesar dos defeitos de cada um e das arduras da vida, acabam por ser parte de nós, tanto quanto a família.
Já um professor que admiro muito dizia: a amizade é um negócio, "é preciso dar e receber." E é verdade, quem não se reviu já numa amizade unilateral? Em que não medimos esforços, mas nada parece ser recíproco? Manter esse tipo de relacionamento é duro, mas com um pouco de esforço, nada se torna impossível. O mesmo professor citava, nas aulas de Literatura Portuguesa, Oscar Wilde: "Toda a gente é capaz de sentir os sofrimentos de um amigo. Ver com agrado os seus êxitos exige uma natureza muito delicada." A inveja é um dos sentimentos humanos mais comuns, tão natural como o amor e o ódio, mas controlá-la tem que ver directamente com os laços que estabelecemos com os que nos rodeiam, quando o amor supera a nossa própria necessidade de sucesso e bem-estar, sentimo-nos felizes com a felicidade dos demais. Quantas amizades não sofreram já deste mal? Jean Cocteau concorda, pois afirmou: "A felicidade de um amigo deleita-nos. Enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque não existe." Por fim, algo que destrói muitas das nossas relações é ainda a intolerância que todos parecemos ter perante a sinceridade, com a evolução da sociedade, parece que passámos para um estado de total hipocrisia e maravilhamo-nos com aqueles que apenas nos deleitam com palavras doces. Devem ser ouvidas, estas palavras doces, mas somos humanos, somos imperfeitos, erramos, magoamos, mostramos má conduta e não devemos esperar que nunca sejamos punidos ou chamados à realidade que transformámos... não seria de esperar que os que amamos nos tomassem o braço e nos censurassem? - "Fazei amigos sempre dispostos a censurar-vos", afirmava Jean Boileau.
Os Romanos da Antiguidade diziam-se exímios na arte da preservação da amizade. Um amigo representava mais do que a própria família, seria confidente, conselheiro, participaria em todos os eventos, não se diria mal do amigo ou não se permitiria que tal se fizesse, havia um voto de lealdade e a manutenção deste negócio de que fomos falando... e é por isso, que hoje, apesar de todos os facilitismos, nunca estivemos tão sós.


Fonte da Imagem: Deviantart (Social Disaster)

domingo, 3 de janeiro de 2010

"Imagine"

Este vídeo foi enviado para o email comum da minha turminha da Especialização em Educação Especial (e não podia ser mais adequado) e acho que devo partilhar com os poucos que ainda me vão lendo:) A música não requer apresentações, é o hino à fraternidade de John Lennon e, para mim, uma das músicas mais envolventes e enternecedoras de sempre - "Imagine". O coro composto por surdos (ou até alguns actores a interpretarem surdos, não sei) e pelo cast da série Glee que eu sigo na Fox life e que também aconselho.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Jantares Natalícios

Pois é, não há grandes novidades, mas há vida social e quando se junta o "Triodemira" da especialização em Educação Especial, pronto, só dá num jantarinho bem animado, gargalhadas e cusquices à mistura e um matar de saudades impagável. Só tenho a dizer, tal como o meu amiguinho Fernando Pessoa "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis" E estes momentos resumem-se tão bem nesta citação. :)





Gostei muito de vos conhecer:)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Chá singular

Qual chá da Índia, qual chá da Pérsia ou Chinês... Há chás que se tornam singulares, únicos, não pelo seu sabor,não pela sua origem ou tratamento, mas pelas emoções que nos provocam, esses chás únicos são resultado de companhias puramente ideais, as das pessoas que realmente nos dizem muito e que, por mais afastadas e silenciosas que pemanecessem, continuavam a sussurrar nos nossos corações.

Obrigada:)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

All gone bad

Num momento de mais exasperada nostalgia, relembro que, durante as nossas vivências, muitos são os desapegos, os desassossegos, as desilusões, os desânimos e frustrações. Caímos, rolamos, retombamos e tornamo-nos a erguer com forças hercúleas para, no passo seguinte nos derrubarem outra vez... voltamos a cair... voltamos a erguer-nos, até que as forças se esgotem. Grande virtude humana esta...



Porém, as feridas vão ficando e se há cicatrizes que desaparecem à força de um tempo que passa e nos desgasta, há aquelas que de tão profundas, nos provocam dores lacinates, que são impossíveis de esconder. Por vezes, numa tentativa de negação descuidada, tentamos olvidar tudo o que perfurou esta fortaleza andante, mas não deixamos de relembrar, com nostalgia, o carinho dos minutos que, inadvertidamente, passavam efémeros...



Olhámo-nos de soslaio, atiramos palavras ao ar como se de balas se tratassem; cruzámos as nossas espadas sem nos olharmos nos olhos e ferimos... ferimos e fomos feridos.



Desvanecemo-nos, como pessoas, aos olhos uns dos outros... tornámo-nos animais sedentos de raiva, de rancor sem qualquer humildade, sem qualquer réstia, nos olhos e no coração, do que nos fez caminhar juntos... Tudo em vão... tudo por um orgulho desmedido e por um passado que não retorna.





Num dia as mãos cruzaram-se, no seguinte, o sentimento que as uniu, foi o mesma que as separou.

terça-feira, 31 de março de 2009

À tua procura...

Pé ante pé, senti-me entrar naquele quarto escurecido pela ausência de janelas ou vida que pudesse sentir.

Encostei a ponta dos dedos à húmida madeira daquela porta envelhecida e senti o ranger acompanhando a sua abertura... não vejo ninguém... Mergulhada numa cegueira temporária, avanço, temerosa com as mãos estendidas, procurando um amparo, o teu amparo... Procuro, no meio de toda esta sombra, os teus dedos, o teu toque, o teu abraço... sentir que estás comigo e que, mesmo sem te conseguir ver, possa sentir-te e saber inexoravelmente que jamais me deixarás perecer nesse habitáculo escuro onde me vi entrar, nesse mundo de sombras que criaram para mim...

<3

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Morning Glorys (17/09/2008)



Esperar que as flores abram para nós as suas pétalas, pode ser uma prova de paciência, porque as flores mais belas, levam o seu tempo a mostrar o melhor e o pior que há em si...

Apenas as que aparentam uma estonteante beleza, desabrocham em questão de segundos, desafiando as leis da Natureza até, não esperam sequer a luz ténue da manhã, para demonstrarem tudo o que possuem, ou que parecem possuir. Não mais são do que aquilo que parecem... Narcisos de estonteante beleza, mas que morrem aos nosso olhos assim que desabrochados.

Há porém flores, das mais belas, que necessitam de uma boa dose de atenção, de cura e bastante carinho, para que possam desabrochar aos nossos olhos, é nessa altura, quando tudo se torna perceptível, que percebemos o quanto de belo há em quem por vezes mais o esconde. E até mesmo aquela pétala ferida, por feroz abelha, ou até mesmo a mancha que tenta ocultar, (d)efeito da natureza intrasponível, se mostram raras preciosidades, defeitos, que tornam aquelas flores tão únicas e diversas... especiais, mais do que aquelas que, a olho nu, se mostravam perfeitas em toda a sua figura, mas que nunca o serão na em toda a sua essência.

Não teremos falhado todos? (28/08/2008)

Que o que distingue as nossas vivências é o trabalho, o esforço, a dedicação e o sofrimento que muitas vezes estas acarretam... e o que nos distancia do erro é uma linha muito ténue em que não é permitida a passagem de emoções, de sentimentos e de tudo o que se afasta do racional. Muito difícil é, porém, separarmos a nossa mente daquilo nos faz bater os corações... E caimos no erro repetidamente ao longo das nossas vidas... apaixonamo-nos por quem não devemos, entregamo-nos a quem simplesmente não merece, descuramos daqueles que que nos afagam...
Certo é que, depois de tanto erro, alguém sai magoado, aborrecido, chateado... quebram-se os laços, desfazem-se ternuras, arrancam-se os abraços e nada mais resta para além da angústia e do râncor... Porquê? Porque é do humano investir tudo o quanto tem de emocional para dar nas suas relações, e porque ao olharmos para o nosso umbigo, perdemo-nos e calcámos os que nos rodeiam. Porque nem sempre ouvimos os clamores dos que sofrem, enquanto caminhamos ilesos, deixando para trás alguém especial... o que só sentimos quando não há volta a dar.
Um ano difícil este, um período complicado... muitas pedras no caminho, um sem número de incertezas e outras quantas desilusões... muita gente a olhar de revés, gente a mais para continuarmos na convicção de que somos sempre os mesmos que éramos antes de cometermos o erro que nos mutilou. Muita ansiedade, muitas lágrimas, muitos tropeções, poucos abraços... muita, muita falta de compreensão e sensibilidae... falhei, tropecei, mas não teremos falhado todos?

:'(

When God Takes a life e replaces it by another (09/08/2008)

Há muito que venho a manifestar o meu descréito pela humanidade... na verdade, hoje cheguei à conclusão do porquê de estarmos repetitivamente a aprender as mesmas lições... para que a nossa alma se ilumine com a sabedoria que podemos retirar de cada erro, de cada experiência... Hoje, apesar da tristeza que me invadiu, percebi o fundamento de toda esta agonia que tenho sentido, o porquê deste descrédito continuo pela humanidade e, principalmente, pelas pessoas que nos invadem os trilhos e que, sem avisar o deixam com desdém... porque WHEN GOD TAKES A LIFE, HE REPLACES IT BY ANOTHER... Porque ninguém é insubstituível, por mais que achemos que o é; porque por vezes valorizamos as pessoas erradas, quando anjos permanecem do nosso lado; porque nem sempre é naqueles que encontramos a diversão, que encontramos a paz de espírito e porque apesar de ser sempre difícil cortarmos as amarras daqueles que amamos, nem sempre somos correspondidos com igual fulgor... e o sofrimento é maior quando assim o é.
Porque afinal nunca estaremos verdadeiramente sós, há sempre alguém que nos ama, que nos admira, mesmo que de longe... Porque teremos sempre o amor inconfundível dos nossos parentes, daqueles que nos acompanharam ao longo das vidas, dos amigos que,mesmo após uma zanga não desistiram de nós... porque nunca duvidaram da bondade das nossas almas... Porque há sempre alguém que se recorda de nós com nostalgia e carinho, porque há sempre alguém que nos dirige um sorriso verdadeiro, porque há sempre aqueles que nos abraçam e por quem nos sentimos muito amados e, por menos que sejam, eles existem, suprem a falta de quem nos larga a mão e tornam a vida mais suportável e este mundo - onde impera o egocentrismo - um lugar bem melhor para se viver...
E afinal, porque os Gregos já sabiam: depois do Pathos e da Catástrofe, há sempre a Anagnórise e a Catarse - uma descoberta e a purificação que surge dela...

Neverending Story (01/07/2008)

Quantos de nós já perderam o contacto com pessoas que ama, ou ele é tão moderado, que essas pessoas, sem que nos apercebamos, perdem algumma da relevância nas nossas vidas? Muitos de nós, certamente, e não devo ser excepção à regra... mas eu tenho uma história curiosa...

Aquando da minha estada em Aveiro, conheci alguém muito especial, uma menina diferente, sempre pronta a ajudar. Apesar do pouco tempo de que podíamos usufruir juntas, havia sempre forma de sabermos os nossos sucessos, as nossas angústias e até mesmo as nossas desventuras amorosas, nem que o meio de comunicação fosse uma tão tradicional carta, entregue, em mão, aquando de um breve cruzamento nos corredores do DLC.

Mais tarde foi minha madrinha... não de curso, julgo eu, acho que decidimos cognominar-nos dessa forma, devido à necessidade de nos sentirmos mais próximas... E até porque já tinha o meu Padrinho Nando, sem dúvida, outra personagem que adorei ter conhecido.

Foi no meu 4.º ano - no seu ano de estágio - que os nossos caminhos se afastaram, o trabalho era muito, o tempo sobrante, muito pouco e a comunicação efémera... eu própria me desleixei daquela presença que já não sentia tão próxima... Mas valha-nos a internet, que encurta as distâncias e nos traz, para bem perto de nós, pessoas que julgávamos ter perdido no trilho. Retomámos tudo, talvez até em força redobrada e, neste último sábado pude abraçar novamente a minha madrinha Angie... Inexplicavelmente, soube a pouco, gostava de ter ficado horas a falar contigo madrinha. Foi bom ver-te feliz, com a pessoa com quem decidiste construir a tua felicidade... e acho que sabes o quanto acreditei que conseguirias alcançá-la. Fico feliz por te realizares profissionalmente, mas nunca te esqueceres dos que te rodeiam, não perderes essa humildade e espírito de solidariedade, que sempre tiveste... nunca negaste um apontamento, um livro, uma gramática... isso torna-te uma pessoa especialmente bela, e por isso me orgulho tanto por fazeres parte do meu leque de amigos e por, embora distante fisicamente, poder chamar-te amiga, daquelas que me são mais próximas... Obrigada pelo desvio... Soube bem...:)

Beijinho doce da afilhada que gosta muito de ti e te admira...

E aproveitando o espírito lamechas, não queria acabar o post sem relembrar, ainda na continuidade do assunto, aquelas pessoas que marcaram a passagem por Aveiro e que, apesar do pouco contacto, ainda me fazem sorrir... Obrigada Pedrocas, obrigada Nando, obrigada Tiago, obrigada Madrinha... Keep on touch!:)

Good Friends needed (07/07/2008)

Olho adiante... um caminho onde vigoram ervas daninhas, urtigas repletas de espinhos, dispostas a magoarem-me à minha passagem. Não me resta outro caminho a tomar... percorro o trilho e acaricío levemente as ervas agitadas por leve brisa... Sustentam-me ainda, com força inigualável, embora insuficiente para carregar o peso que trago. Quero continuar, faço-o sozinha, porque não há quem me queira agarrar. Quantas as almas que ficaram para trás? Quantos corpos sedentos do meu carinho desprezei? Muitas cairam à minha passagem indiferente e agora, que quem agarrei com forças desmezuradas, me larga as mãos friamente, é que sinto falta daquelas almas, daquele intimismo, daquela carícia que deixei para trás. Sinto falta das vozes dos que me amavam de qualquer forma, dos que ansiavam a minha presença, dos que partilhavam sorrisos e mos retribuiam... sinto a falta de abraço forte depois de um choro... sinto a falta de confortar e ser confortada...

Quero voltar a ter presente os que queriam a minha amizade, os que me defendiam de titãs ferozes, de todos aqueles que possa ter desvalorizado e que ainda assim, não me retiraram o valor que tinha... Agora que traço o trilho sozinha, vi o quanto deixei para trás e o quanto anseio reencontrar o toque das vossas mãos... Agora que a humanidade me mostrou que a amizade é a mais nobre das relações, mas perde, nos dias que hoje correm, todos os valores que os antigos lhe impugnaram. Que as relações humanas não passam além de meras necessidades especiais e que se desvanecem à força de um piscar de olhos. Agora que olho e vejo quanta mágoa podemos provocar e que essa mágoa retorna a nós quando menos esperamos... Que o destino se encarrega, à sua maneira, de retribuir tudo o de bom e de mau... eu, que extingui tantos à minha passagem, que descurei da amizade que muitos me ofereciam em troca da minha simples presença... Sinto agora o rio retornar, transportando, porventura, toda a mágoa que infligi. Embora sozinha, tomo-me de esperança de encontrar pessoas que valham a pena, como as que deixei para trás, num mundo que nos tornou alienados e insensíveis às emoções dos outros, que estão mesmo ao nosso lado. Aprendi, à força, que, por vezes, é mais que necessário volver o pescoço, baixar o tronco se necessário, para sustentar aqueles que, por vezes no nosso caminho tombam... Aprendi que não custa retribuir, aprendi que cada pessoa que se cruza connosco deve ser valorizada por tudo o que ela é, porque cada um de nós tem uma essência que nos torna verdadeiramente especiais... cabe-nos a nós, dar a mão a todos, valorizar cada pessoa, por mais insignificante que nos pareça, cabe-nos a nós, tornar as pessoas especiais, fazê-las importantes ao nosso olhar vazio. Cabe-nos, a todos nós, repensar na vida que temos levado, nos valores que temos tomado como ideais e retomar o verdadeiro sentido das nossas vivências, e principalmente, das pessoas que têm pé assente nelas e que, nem sempre, são devidamente valorizadas... A todos que já percorreram o trilho comigo, que me deram a mão e que intervieram nas minhas vivências, obrigada...


Uma musiquinha e o vídeo bonitos:)

Tragedy - Brandi Carlile

Sorry I'm only
Human you know me
Grown up oh no guess again

My days always
Dry up and blow away
Sometimes I could do that too
But make no mistake that

When you need a friend
You could count on anyone
But you know I'll defend
The tragedy that we knew as
The end

Progress, changing
Growing then giving up
Somehow we're never quite prepared
But I understand it

When you need a friend
You could count on anyone
But you know I'll defend
The tragedy that we knew as
The end

So taking you with me would be like
Taking all your money to the grave
It does no good to anyone especially
The one you're trying to save
But it's so hard not to save

When you need a friend
You could count on anyone
But you know I'll defend
The tragedy that we knew as
The end

"... talvez o amor seja a mãe de toda a coisa viva." (12/05/2008)

A Elsa não está no escritório a dar-me o que fazer, o Alves saiu e diz que volta por depois das 17h. Resta-me o Manel, filho da Elsita, agora meu companheiro de horas mais mortas e companheiro de aparelho (se bem que já tirei o meu, mas acaba-se por se ficar com um certo sentimento de solidariedade daquelas horas de angústia que passávamos na cadeira do ortodontista de boca escancarada).
Continuando...
Dediquei-me à leitura, à leitura de um livro que deixei pendente, "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra.", de Mia Couto. Deixei-o pendente porque, na minha memória, reaviva sempre a morte do meu avô, dor que evito sentir... mas tornei a lê-lo e só me arrependo de não o ter retomado antes, a visão das emoções e sentimentos humanos, apropriados por pessoas simples, oriundas de Moçambique, fazem-nos repensar na vida que temos levado... e a frase do título fez-me pensar...

... talvez o amor seja mãe de toda a coisa viva...

Temos origem no amor, não resta dúvida, somos fruto de algo muito belo, vivido intensamente, embora nos pareça estranho, por vezes, falarmos da relação dos nossos pais desta forma... mas é a verdade, somos parte de uma segunda geração que, também ela pensa deixar legado...

No entanto, julgo que o amor é responsável por mais do que isso, é responsável por nos dar vida… se pudéssemos contabilizar todas as emoções que partem de um sentimento tão banalizado como este que tenho vindo a falar...

Gosto de relembrar o primeiro amor na adolescência (talvez por pensar que, é nessa altura que vivemos realmente e não na idade adulta que, como numa convulsão masoquista, nos enchemos de responsbilidades que não nos permitem viver, mas sobreviver)...as parvoíces que fazíamos, os sofrimentos avulsos a que nos acometíamos, por amar (se é que era amar) em demasia, exacerbadamente.

As mãos suadas, os rostos ruborizados e o corpo trémulo...
O desejo, por vezes lascivo, de deixar tocar os lábios vermelhos do sangue palpitante nos do outro alguém, por segundos que fossem...
Sentir o peito arquejar e a respiração sôfrega da ânsia que nos corre nas veias.
Uma tentativa falaciosa de se tentar esquivar dos braços que nos apertam, para retornar a eles em força redobrada...
Tornar a tocar os lábios... sentir a respiração do outro, halo da vida...
Deixar os corpos tocarem-se timidamente, à medida que a intensidade do beijo aumenta...
Medir as forças num abraço... trabalhar a astúcia com a ponta dos dedos e sentir a alma de alguém... a alma que se faz inspirar de todas as mesmas emoções...

E, no pequeno instante em que tudo isto decorre, perder-se no tempo, perder-se no espaço e prender-se apenas a um momento presente, que pode ser muito curto e fugaz para que o possamos reter na memória. Por segundos, minutos, horas, vivemos tudo intensamente, sem que nos apercebamos disso no interior de todo o nosso amorfismo...

Pois o tempo só nos passa ao lado quando vivemos e o espaço só nos parece indiferente quando partilhado com alguém que nos faça sentir vivos...


Não nos esqueçamos então de viver intensamente... amando:)

Onde Estás? (16/10/2007)

Coloco-te, não raras vezes, num pedestal, que se ergue bem alto na minha consideração...

Contemplo-te, admiro-te, chego a desejar equiparar-me a ti, em toda a tua essência! Sorris-me então e não evito aquele ardor que fulmina o meu peito, iluminando os meus olhos... Tento agora alcançar-te, tu, que insistes em subir cada vez mais alto no pedestal onde assentaste pé.

Grande é o meu esforço, nula a tua reacção...

Olhas-me cada vez com maior despeito e nem sei mais se deva continuar a subida... contemplo-te novamente! Entoo aquele canto que outrora fora teu e nem reages! Toco-te na extremidade do teu corpo rígido... e não me sentes!

O desânimo que se apodera de mim, faz-me então recuar... sigo aquele trilho que fizemos juntos e deixaste para trás e, de quando em vez, a esperança de te ver no meu alcance, força-me a olhar para a retaguarda, para o local onde te deixei vencer! Impávido permaneces, uma atararaxia tomou-te e cegou-te das minhas verdadeiras intenções, desististe de mim, amigo que julgara fiel...

Traço novo trilho, com a ponta dos meus pés, por entre as ervas inquietadas pelo vento... mas não desisti de ti, quantas vezes olho de soslaio, esperando encontrar-te... Mas já me afastei demais e tu subiste aos etéreos céus sem um olhar sobranceiro... há ainda esperança para nós?

A dúvida acompanha-me ao longo de todo o caminho, não deixando que me abstenha de ti, mas outros me foram tomando as mãos deambulantes pelo itinerário que já trilhei... (lembro-me de ti...), abraços ferverosos me tomaram de carinhos... (lembro-me de ti...) olhares zelosos cuidaram de mim... (não consigo esquecer-me de ti...) mas perdi-te, ou não, meu velho amigo?

Sanguessugas: parasitas ou detentores de benefícios medicinais? (22/03/2007)

Ao ver uma postagem dirigida à minha pessoa no blog de um amigo, senti-me emocionalmente impelida a dar-lhe uma resposta.

É verdade, não sou Sanguessuga, mas Rocha, mas ainda assim, sinto que há já muito te conheço, como se de um laço familiar dependesse a nossa amizade... Mas pelo contrário, não foi há muito que te conheci, nem sequer temos qualquer ligação familiar (apesar da coincidência do "Rocha").

Enfim... mas não foi isto que nos uniu, e penso que os leitores deste blog têm todo o direito de conhecer a nossa insólita história...


Há quanto tempo nos cruzávamos, ora no Departamento de Línguas, numa ou outra aula que tínhamos juntos, ora na estação do comboio, ou mesmo no próprio comboio... mas nunca trocámos uma palavra sequer, penso até que nunca trocámos um olhar, por mais de soslaio que este surgisse... mas na verdade, eu sabia que existias, eras sempre o "bom rebelde" que insistia em chegar atrasado às aulas e, mais tarde, ao fim do dia, cruzáva-me contigo e pensava: "Olha, foi este o que chegou atrasado à aula!"


A verdade é que nenhum de nós se falava e apesar das rotinas que nos poderiam aproximar, insistimos num estado de perfeita apatia e assim continuámos durante muito tempo...

Foi preciso chegarmos ao último ano da licenciatura para, de quando em vez, nos sentarmos perto um do outro e, timidamente trocarmos umas palavras um tanto monossilábicas... até que um de nós perguntou:"vais de comboio embora?" - e assim iniciamos, nesse dia, um ritual que se iria repetir até ao fim do ano e que nunca mais me esquecerei.


Na rua, muitos eram os aveirenses que olhavam para o nosso grupo de esguelha, ora pelo barulho, ora pelas gargalhadas que entoavam pela Avenida Lourenço Peixinho e que, neste momento em que as recordo, são a banda sonora das minhas boas memórias dos meus anos nessa cidade.

No comboio, muitos eram os conterrâneos que olhavam para a nossa jovialidade e desinibição com uma certa nostalgia e saudosos do tempo em que podiam rir e falar assim, sem serem censurados, e não eram poucas as vezes que podíamos vislumbrar um sorriso acanhado nas faces de alguns.


Agora que recordo estes dias, noto quanto foram importantes para mim... quantas vezes aqueles 45minutos de comboio me exorcizaram e por momentos me fizeram sentir feliz, mesmo quando o não sentia no meu âmago...

Aqueles 70 Km deixaram então de ser tão morosos e, nessas alturas, muitas foram as vezes em que vi no tempo um inimigo que, de livre arbítrio, teimava em voar e passar por nós como se tivesse vida própria, escolhendo quando galopar e quando nos fazer esmurecer com a sua tardança...


Hoje e muitos dias, quando entro no comboio quase vazio e me sento no canto mais recolhido que encontrar, penso nesses momentos e recordo-os com um enorme carinho, pois foi num clima assim que encontrei talvez o único amigo dos tempos de Universidade... tu sim, Sanguessuga.


Por isso acabo a minha dissertação afirmando sempre (e com argumentos válidos), que a Sanguessuga não é somente um parasita, também suga o que de pior há em nossos corações para dar espaço para deixar muito boa gente entrar...


Um beijinho bem grande!





Tiago e Pedro (grandes amigos)
Ah! Lembram-se??? ;) Bons tempos!!

P.S. Peço desculpa a espíritos menos susceptíveis às emoções humanas pelo sentimentalismo desta minha postagem, mas teve de ser...:)