Desapontamento, desilusão, desanimo...
Sem alma, desalmada, no caos, na confusão...
Sem caminho, num labirinto fechado, embala o espírito e olha as paredes de lado.
Aguarda a bonança, já se faz tarde, decerto não vem. Resta-lhe a esperança, mas muito pouca já tem.
Fecha os olhos, aguarda os dias que se prolongam, até chegar àqueles que se desejam longos.
Demoram porém, não deve haver mais na estante, aguardo secretamente, que o tempo não seja distante. Inerte, dormente, sem dor nem alma de gente, fecha os olhos e aguarda, aguarda infinitamente.
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sexta-feira, 9 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
Hoje
Hoje quis, simplesmente, deixar de ser quem sou
A sombra do passado que transporto
Do presente que suporto
E do futuro que aquele me privou.
Hoje quis ser quem nunca fui
Ter sentido o que nunca senti
E percorrido os caminhos dos quais fugi.
Hoje quis desistir de quem tenho sido
A iconografia das memórias alcançadas
O esquiço imperfeito das ações inacabadas
Hoje desiti do que seria
Se o meu mundo em dolo não me largasse
E tudo o que sonhei enfim não desabasse…
Hoje, o eterno dia sem fim,
Que o sonho e o amanhã arrebata
E se repete e destrói e mata
Um pouco mais do que
há em mim.
Ter as estradas cortadas, os desvios inalcançados
As portas abertas que me entalam, os alpendres selados
As paredes que não existem, os muros do nada levantados
Os labirintos redundantes, os percursos alterados
O ser eu todo, no espaço que me limita
Agrilhoado às pedras dessa encosta
Sempre o mesmo presente que me assombra
Sempre as preces mudas na penumbra
Sempre o grito inaudito sem resposta…
O presente que dolorosamente se desgasta
O amanhã nulo
E a clausura neste tempo… basta!Simplesmente basta!
E a clausura neste tempo… basta!Simplesmente basta!
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
A dor
A dor
O caminhar descalço sobre as pedras aguçadas,
Roer os joelhos contra a calçada rugosa,
A fricção do meu corpo no chão arenoso.
O ar frio que inspiro, os gritos estridentes na minha mente.
O sol intenso contra a minha retina. O empurrão. O
esmagamento.
A exaustão. As correntes nos pulsos.
A respiração sôfrega. O coração aos pulos.
Os gemidos latentes. O abandono, o esquecimento,
a desilusão, a
traição e o afastamento.
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Escrita - Poema
domingo, 25 de setembro de 2011
Caminhos
Ruas estreitas, ruas largas, onde cabem dois corpos e uma
bagagem, onde se cruzam olhares, onde ecoam palavras soltas, onde deambulamos
olhando o secretismo de cada um que passa. Calçadas cheias de passos lentos, de
gente que passa, com pressa e não para… Becos onde nos perdemos frente aos
muros que não podemos escalar, vielas onde nos cruzamos sem mesmo planear.
Margens destes rios, margens deste mar, onde os segredos são revelados, aqueles
nunca antes contados… Pontes desenhadas sob os nossos pés... Caminhos cruzados, vários dias passados, noites que nos
transformam e nos tomam… pelo amanhecer, somos já outros, redundantes nas
metas, retomando caminhos, reconhecendo as caras, sem porém sair dos trilhos…
Já não mais nos aventuramos nesses labirintos…
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Devaneios,
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Um lugar de encontro
Sempre o nosso lugar de encontro...
Como se o marulhar fosse linguagem compreensível
E o silêncio nos falasse do profundo desse mar revolto...
Como se o destino que nos une
Fosse o mesmo que une a terra aos confins desse mar
Como se o tempo que ali passa
Ali ficasse, perpétuo, suspenso e inertes os ponteiros a par
Como se tudo fosse simples
E nada mais importasse do que a vontade de te amar.
A. Rocha
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Deus dos meus sentidos (21/08/2008)
Quero estar só
Que nem árvore centenária
Eternamente selada ao solo de que se alimenta e acha seguro...
Ficar inerte,
Como gente transparente
Translúcida aos olhos de quem passa!
Ficar presa ao meu silêncio
Encurralada na cela
Que eu própria criei!
Vou ficar por detrás da porta
Daquela que foi cerrada com a parede
Que, em devaneio, levantei!
Vou alienar-me dos meus sentidos,
não reconhecer o mundo
que, a minha alma, esmaga e trespassa.
Vou fugir, sem me mexer...
Vou-me esconder aos olhos de uma multidão...
Vou ver o mal, sem me compadecer...
Vou ser Deus dos meus sentidos...
Deus ainda da emoção
dos sentimentos sofridos...
Que ainda que isolada, me arrebatam o coração...
A. Rocha
Que nem árvore centenária
Eternamente selada ao solo de que se alimenta e acha seguro...
Ficar inerte,
Como gente transparente
Translúcida aos olhos de quem passa!
Ficar presa ao meu silêncio
Encurralada na cela
Que eu própria criei!
Vou ficar por detrás da porta
Daquela que foi cerrada com a parede
Que, em devaneio, levantei!
Vou alienar-me dos meus sentidos,
não reconhecer o mundo
que, a minha alma, esmaga e trespassa.
Vou fugir, sem me mexer...
Vou-me esconder aos olhos de uma multidão...
Vou ver o mal, sem me compadecer...
Vou ser Deus dos meus sentidos...
Deus ainda da emoção
dos sentimentos sofridos...
Que ainda que isolada, me arrebatam o coração...
A. Rocha
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Lá (24/07/2008)
Para lá da varanda
que inerte habitas
existe um mundo farto
que insistes em ver de longe...
Lá, donde vieste
As ondas retombam
os olhos estagnam
e o tempo emudece.
Para lá desse teu mundo
As areias movem-se
correntes te agrilhoam
Olhares te rasgam.
Lá, donde vens
Não há passagem das horas
Há braços que te apertam
Olhares que te amam.
Para lá do mundo que habitas
As gentes acotovelam-se
As rotinas repetem-se
a humanidade urge.
Lá, donde vens
Não há rostos soturnos
O cizentismo é insólito
e a escuridão cessou.
Lá, donde vens
Não se pisam as gentes,
Não se atacam os bichos
... não se vertem lágrimas...
Lá, donde vens, também eu gostava de ter vindo...
Mas para lá desse horizonte,
Aos nossos olhos, o mundo é findo...
A. Rocha.
que inerte habitas
existe um mundo farto
que insistes em ver de longe...
Lá, donde vieste
As ondas retombam
os olhos estagnam
e o tempo emudece.
Para lá desse teu mundo
As areias movem-se
correntes te agrilhoam
Olhares te rasgam.
Lá, donde vens
Não há passagem das horas
Há braços que te apertam
Olhares que te amam.
Para lá do mundo que habitas
As gentes acotovelam-se
As rotinas repetem-se
a humanidade urge.
Lá, donde vens
Não há rostos soturnos
O cizentismo é insólito
e a escuridão cessou.
Lá, donde vens
Não se pisam as gentes,
Não se atacam os bichos
... não se vertem lágrimas...
Lá, donde vens, também eu gostava de ter vindo...
Mas para lá desse horizonte,
Aos nossos olhos, o mundo é findo...
A. Rocha.
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Humanamente (07/05/2008)
Rompi...! Rompi com todos os convencionalismos.
Tropecei, deixei-me cair e tornei a levantar-me... para voltar a cair.
Agarrei-me ao que pude, a quem me deu a mão.
Ouvi a voz do diabo e dei-lhe toda a razão.
Parti corações, despedacei almas à minha passagem.
Rompi com o convencional, rompi contigo, com a tua imagem...
Provei ser nada e nada ser.
Rompi com a humanidade, fiz de mim animal perverso, cedi aos instintos mais primários apenas por prazer.
Rompi comigo, com todo o meu ser.
Olhei de soslaio para quem não conheço e invejei, desejei ter algo que não possuia. Deixei-te para trás, não rompi com o meu orgulho. Fugi do que temia.
Atei-te à minha memória.
Tomei-te nos meus sonhos.
Possuí o teu destino.
Agarrei-te a alma dispersa.
Tocaste-me o espírito, mudaste-me o rumo... imagem agora submersa.
Rompi com todos os valores.
E com o que te prometi...
Gritei gritos estridentes de fúria para me fazer ouvir.
Virei as costas, não cedi.
Ignorei-te, não te olhei... fugi de ti...
Fugi do que sinto, fugi do que me trás vida... errei, caí, retombei e agora só quero tornar a ti.
Num súbito rasgo de inspiração...
Tropecei, deixei-me cair e tornei a levantar-me... para voltar a cair.
Agarrei-me ao que pude, a quem me deu a mão.
Ouvi a voz do diabo e dei-lhe toda a razão.
Parti corações, despedacei almas à minha passagem.
Rompi com o convencional, rompi contigo, com a tua imagem...
Provei ser nada e nada ser.
Rompi com a humanidade, fiz de mim animal perverso, cedi aos instintos mais primários apenas por prazer.
Rompi comigo, com todo o meu ser.
Olhei de soslaio para quem não conheço e invejei, desejei ter algo que não possuia. Deixei-te para trás, não rompi com o meu orgulho. Fugi do que temia.
Atei-te à minha memória.
Tomei-te nos meus sonhos.
Possuí o teu destino.
Agarrei-te a alma dispersa.
Tocaste-me o espírito, mudaste-me o rumo... imagem agora submersa.
Rompi com todos os valores.
E com o que te prometi...
Gritei gritos estridentes de fúria para me fazer ouvir.
Virei as costas, não cedi.
Ignorei-te, não te olhei... fugi de ti...
Fugi do que sinto, fugi do que me trás vida... errei, caí, retombei e agora só quero tornar a ti.
Num súbito rasgo de inspiração...
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Último Fôlego (12/03/2007)

Escrevo, não poucas vezes, durante a noite, envolvida pela solidão do meu quarto... ébria graças à melodia nocturna que me envolve... escrevo enfim...
Quantos de vós não ireis dizer que escrevo sem qualquer labor? E quantos mais irão afirmar que o que digo não faz qualquer sentido? Não me interessa, apenas desejo escrever, ceder ao ímpeto criativo que assalta a minha alma, e escrevo então...
Perco-me na imensa escuridão
Que assola meu ser.
E, por entre sendas de traição,
Vejo-me esmorecer.
Procuro, no escuro, um porto seguro
Que me faça esquecer
E acreditar, que nada nesta vida,
Me há-de fazer parar.
Um último fôlego
Parece agora adormecer,
E sinto no meu âmago
A força desfalecer.
Procuro, na vida, o sangue sem ferida
Que me faça enaltecer
E ressuscitar desta morte prometida
Em que insisto mergulhar.
A um deus oculto,
Que escutar não parece,
Esta alma cansada entoa esta prece:
Na vastidão do Universo
Anseio apenas encontrar,
Estrela fulgurante
Que auspicie com seu brilhar.
E quem eu encontrar
Que dirija o meu leme,
Nesta vastidão de mar,
De quem já não ama… nem sequer teme.
Que assola meu ser.
E, por entre sendas de traição,
Vejo-me esmorecer.
Procuro, no escuro, um porto seguro
Que me faça esquecer
E acreditar, que nada nesta vida,
Me há-de fazer parar.
Um último fôlego
Parece agora adormecer,
E sinto no meu âmago
A força desfalecer.
Procuro, na vida, o sangue sem ferida
Que me faça enaltecer
E ressuscitar desta morte prometida
Em que insisto mergulhar.
A um deus oculto,
Que escutar não parece,
Esta alma cansada entoa esta prece:
Na vastidão do Universo
Anseio apenas encontrar,
Estrela fulgurante
Que auspicie com seu brilhar.
E quem eu encontrar
Que dirija o meu leme,
Nesta vastidão de mar,
De quem já não ama… nem sequer teme.
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