terça-feira, 14 de outubro de 2008

Doem-me os olhos hoje...
Chorei até à exaustão, até não ter mais alma em mim. Até os meus olhos vazios fixarem a parede nula que se ergue à minha frente, talvez na busca de soluções e remédios.
O muro que me divide entre a sobriedade e o desejo de enlouquecer, de emudecer e apenas ficar sentada a fitar aquela parede branca.

Com respeitosos sentimentos te entrego as condolências, sociedade estupidificada e desumana... que tratas, sem valor, o que de maior valor há: a essência humana.

Com as lágrimas entaladas na garganta, aceno aos meus sonhos, que partem para bem longe de mim... Sem saber se será um "adeus" ou um "até logo".

Está frio, agora que tenho o espírito desapegado do corpo e que a ira é a única emoção que me toca, mas a minha impotência é maior que tudo isso... Vou ficar aqui, outro dia, outro mês, outro ano, neste quarto ausente de calor humano, a contemplar o tempo que passa lá fora e que teima em tardar, aqui no espaço que é meu.

3 comentários:

Anónimo disse...

É bom encontrar coisas novas quando venho ler-te...
Ângela

Fipas disse...

Que texto podereroso! Gosto da tua sensibilidade, da essência humana! Também sou e sinto assim. Expressas muito bem o que eu por vezes gostaria de expressar mas faço-o para os meus cadernos, não para o mundo. Gosto assim da tua transparência! Fica bem! Bjs

Rui de Carvalheira disse...

De seguro que ese teu quarto não está tan falto de calor humano, pois cando menos estás tu, e con toda seguridade não eres um animal de sangue fría, os teus textos indícano :)

P. S.: agrégo-te à lista de blogs :P