quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Despertar Atónito



Soa o ruído intermitente despertador... Som familiar, que procura em nós, o automatismo imediato do repentino levantar, após uma noite de sono...
Mas hoje não foi assim...

Os olhos mal se me cerraram durante a noite, entre passagens fugidias entre sonos, mal tive tempo para me contemplar nos sonhos... Pesa-me alma, pesa-me o espírito...

Hoje, ao contrário dos dias normais, semi-cerrei vagarosamente os olhos e contemplei a luz tímida da manhã que entrava pelas frinchas da janela... Desejei que não fosse hoje, que a noite se prolongasse eternamente e com ela o meu sono...

Desejei poder ficar ali... encolhida na minha cama, aconchegada no meu mundo, no espaço que me reserva íntegra ainda... Desejei mergulhar nos sonhos e contemplar-me num mundo que é so meu, incorruptível...

Desejei que não houvesse ontem, nem amanhã... que o tempo parasse ao som do meu respirar sôfrego e se apagassem todas as memórias... se me fossem varridas da alma as mágoas, os sofrimentos e os gestos que tanto nos causam pesar.

Hoje, queria estar protegida do mundo que me olha e que aguarda expectante as minhas acções impensadas, na fúria de me agarrar, ao primeiro passo em falso e me submeter às arduras que preparou para mim... Hoje não queria que fosse assim... Queria estar fechada a sete chaves, por detrás da armadura que criei e sozinha contemplar o tempo que passa ileso da minha presença... ser espectadora errante dos rumos da vida que em mim se cruzam e recusam a ficar... Hoje queria estar só, neste meu recolhimento e desejava que uma qualquer parede me protegesse dos golpes que me infligem, para permanecer em paz... num dia em que, já desperta, acordei para um novo passo, um novo gesto, uma nova atitude, que gostava poder prescindir... apenas ficar para ver o mundo passar por mim, aqui, na minha alienação sem dor.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Por que é que o meu blogue tem tastos posts no mesmo dia

É fácil, graças aos meus magníficos dotes informáticos [ironia], desformatei por completo o meu antigo blogue. Fiquei muito triste e, mais do que tudo, aborrecida comigo própria, porque quis mudar o que estava claramente nem e foi no que deu.

Como criei um novo blogue de raíz, para que o endereço não se altarasse, copiei todos os posts que tinha publicados no blogue antigo, e coloquei-os aqui, ainda que no mesmo dia, as datas originais estão junto ao título de cada um dos artigos.

Juntamente com um enorme pedido desculpas àqueles que comentaram (e que já não vão achar aqui os seus dizeres), fica a promessa, que não me armo mais em esperta!

Beijinho
Andreia

Contando os passos (17/09/2008)

Há dias assim, em que a Andreia faz falta, para que a possa chatear incessantemente com as minhas lamurias e cusquices, isso já faz parte do meu dia, ela não está online, há que fazê-lo dentro da minha própria cabeça...

Não há assim tanto para ser dito, mas a verdade é que, quando se comunica com alguém, sempre se arranja tópico, por mais fútil que seja... e se falamos em futilidades, pronto, aqui vai:)

Hoje já tive oportunidade de passear, fui até ao Porto, e embora em trabalho e na pressa que o urbanismo nos exige, tive tempo para contemplar as pessoas, os edifícios e as paisagens, que parecem muito mais belas nestes dias que escolhem ser cinzentos... é uma cor que combina com o "meu velhinho e cansado Porto". Os edifícios degradados, mas de uma beleza ancestral, as pessoas, correndo em fúria, mas sempre dispostas a abrandar o seu ritmo para conceder uma informação altamente pormenorizada àquele jovem que não se sabe ainda situar. Os veteranos envergando o seu traje preto, prontos para mais uma afável (ou não) recepção aos caloiros (que saudades). Senhores velhinhos que conversam nas entradas das lojas, protegendo-se de um sol inexistente, mas de luz persistente. O sorriso fraterno de todos aqueles que não nos conhecem, mas que sentem que, por algum motivo, uns "Bons dias filha!", nos vão fazer sentir bem melhor e colocar um sorriso na cara. É por isso que me apaixonei por esta cidade, por este povo, por estes costumes... Virei a esquina em direcção à Rua da Fábrica, mas antes parei frente a uma loja de Instrumentos musicais... Mentalmente, toquei em cada um deles, com o cuidado que cada um merece... entrei e comprei a corda que faltava ao meu Bandolim (antes de empenar o braço do pobre coitado). Continuei a busca pela Óptica Soares e ao virar o quarteirão, deparei-me com mais uma imagem estranhamente familiar... uma rua estreita, onde mal cabe um carro, repleta por uma invejável moldura humana, dos que se acotovelam, dos que caminham em contemplação, dos que apenas estão de passagem, dos que buscam um paradeiro definido e dos que apenas passeiam sem destino qualquer.

Pode não ter sido uma manhã de sonho, posso nem sequer ter nenhuma novidade digna de notícia, mas foi especial... Contemplativa... E se a Andreia estivesse online, era isto que lhe contaria...

P.S.: Ei, estava aqui a escrever e a lembrar-me do Pedro. Este rapaz vai para Barcelona e não me diz nada e o pior é que eu também gostava de lá ir. Pedrocas, eu sei que vens aqui cuscar o meu blog quando chegares, por isso, faz favor de me convidares para um café, não te mando sms nem ligo, porque eu sei que isto dos "roaming" sai caro e não me arrisco a deixar-te sem saldo no telemóvel... quero ouvir histórias dos teus passeios, diz coisas está bem? :)

Morning Glorys (17/09/2008)



Esperar que as flores abram para nós as suas pétalas, pode ser uma prova de paciência, porque as flores mais belas, levam o seu tempo a mostrar o melhor e o pior que há em si...

Apenas as que aparentam uma estonteante beleza, desabrocham em questão de segundos, desafiando as leis da Natureza até, não esperam sequer a luz ténue da manhã, para demonstrarem tudo o que possuem, ou que parecem possuir. Não mais são do que aquilo que parecem... Narcisos de estonteante beleza, mas que morrem aos nosso olhos assim que desabrochados.

Há porém flores, das mais belas, que necessitam de uma boa dose de atenção, de cura e bastante carinho, para que possam desabrochar aos nossos olhos, é nessa altura, quando tudo se torna perceptível, que percebemos o quanto de belo há em quem por vezes mais o esconde. E até mesmo aquela pétala ferida, por feroz abelha, ou até mesmo a mancha que tenta ocultar, (d)efeito da natureza intrasponível, se mostram raras preciosidades, defeitos, que tornam aquelas flores tão únicas e diversas... especiais, mais do que aquelas que, a olho nu, se mostravam perfeitas em toda a sua figura, mas que nunca o serão na em toda a sua essência.

Dei cabo do meu Blog (18/09/2008)

Pois é, pus-me a inventar e quem não sabe é como quem não vê. Agora, nem no esquema posso aceder... se puderem ajudar, sou toda ouvidos...

Obrigada

Não teremos falhado todos? (28/08/2008)

Que o que distingue as nossas vivências é o trabalho, o esforço, a dedicação e o sofrimento que muitas vezes estas acarretam... e o que nos distancia do erro é uma linha muito ténue em que não é permitida a passagem de emoções, de sentimentos e de tudo o que se afasta do racional. Muito difícil é, porém, separarmos a nossa mente daquilo nos faz bater os corações... E caimos no erro repetidamente ao longo das nossas vidas... apaixonamo-nos por quem não devemos, entregamo-nos a quem simplesmente não merece, descuramos daqueles que que nos afagam...
Certo é que, depois de tanto erro, alguém sai magoado, aborrecido, chateado... quebram-se os laços, desfazem-se ternuras, arrancam-se os abraços e nada mais resta para além da angústia e do râncor... Porquê? Porque é do humano investir tudo o quanto tem de emocional para dar nas suas relações, e porque ao olharmos para o nosso umbigo, perdemo-nos e calcámos os que nos rodeiam. Porque nem sempre ouvimos os clamores dos que sofrem, enquanto caminhamos ilesos, deixando para trás alguém especial... o que só sentimos quando não há volta a dar.
Um ano difícil este, um período complicado... muitas pedras no caminho, um sem número de incertezas e outras quantas desilusões... muita gente a olhar de revés, gente a mais para continuarmos na convicção de que somos sempre os mesmos que éramos antes de cometermos o erro que nos mutilou. Muita ansiedade, muitas lágrimas, muitos tropeções, poucos abraços... muita, muita falta de compreensão e sensibilidae... falhei, tropecei, mas não teremos falhado todos?

:'(

A very bad day (29/08/2008)

Por vezes, consome-nos aquele fatalismo enorme... Como que uma vontade imensa de o destino nos tome, nos acometa de um desastre, para que possamos receber os carinhos daqueles que amamos... para que numa honrosa piedade (se é que ela há), os nossos actos sejam esquecidos, as nossas tristezas distraídas por um mal, se possível, menor... Sentir sorrisos quentes, presenças oferecidas, carinhos atentos... toda uma série de gestos sinceros por parte de quem realmente se preocupa com o nosso bem, percepções, no míniomo impossíveis, no quotidiano que hoje habitamos. Vivemos sós, tropeçando nos erros de outros, que incrívelmente recaem em desgraça sobre nós. Nesses momentos, o nosso desejo mais ínfimo é fugir, sem que ninguém tome conta do nosso rasto, ter uma nova existência, indiferente a tudo o que deixamos para trás, sermos nós e diferentes quando nos convier... Desligarmo-nos de todas aquelas falsas presenças que nos corroem de igualmente falsas expectativas que, não lentamente, se tornam em desilusão... enorme sofrimento, que nos torna especialmente fatídicos, desejando o nosso próprio mal...

Porque é que os Post-its não colam? (04/09/2008)

E quando os "Post-its" não colam...



Não estou a falar de "Post-it" de contrafacção, nem fabricados na China, cujo papel tem um cheiro estranho, o qual nem ousamos indagar-nos de onde provém... Não, estou mesmo a falar dos "Pos-it" da marca original, com linhas e tudo, para não nos perdermos, no imenso amarelo desapoiado daquelas pequenas folhas quadradas (estive a medir e têm 7,5 cm em todos os lados, portanto, lados iguais e ângulos iguais... é mesmo um quadrado). Mas o que me irrita mesmo, é querer colá-los e eles caírem constantemente... É como se, ao cair o "Post-it" do meu delgado monitor de computador, se me caísse a memória, em autêntico resvalo, e o recado que tinha para dar, deixasse de existir até ao momento em que observo:"Olha, caiu ali um post-it!"
Mas não entendo, se o principal objectivo do "Post-it" é servir de "memo", porque é que os meus estão sempre a cair???? Já sei, já sei, senhores "Newton", os "Post-it", lá por serem uma das invenções de maior sucesso de sempre, não estão alheios às leis da gravidade. Mas comportarem-se que nem folhas de árvore caduca, não vai mantê-los no estrelato durante muito tempo. E é deste modo, bem singelo, que venho mostrar o meu desagrado para com a queda dos "Post-it.":) Tenho dito!:)

P.S.: O tédio, o tédio...:)

A Rota de Santiago (21/08/2008)



É tendo em conta a Rota de Santiago que, muitos Portugueses, em idades medievais, percorriam, em peregrinação a um dos pontos mais importantes da Península Ibérica, que a Câmara Municipal de Matosinhos organiza uma espécie de feira medieval. É à Ordem clerical do Mosteiro de Leça do Balio, que este evento busca o seu nome: "Ordem dos Hospitalários".
Decorrerá no período de 11 a 14 de Setembro, ao longo da marginal. Nunca lá fui, mas quero tentar uma visita este ano, nem que seja pela experiência e pelo espírito de convívio.

Se queres saber mais, vai aqui: http://cmmatosinhos.wiremaze.com/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=39513

Deus dos meus sentidos (21/08/2008)

Quero estar só
Que nem árvore centenária
Eternamente selada ao solo de que se alimenta e acha seguro...

Ficar inerte,
Como gente transparente
Translúcida aos olhos de quem passa!

Ficar presa ao meu silêncio
Encurralada na cela
Que eu própria criei!

Vou ficar por detrás da porta
Daquela que foi cerrada com a parede
Que, em devaneio, levantei!

Vou alienar-me dos meus sentidos,
não reconhecer o mundo
que, a minha alma, esmaga e trespassa.

Vou fugir, sem me mexer...
Vou-me esconder aos olhos de uma multidão...
Vou ver o mal, sem me compadecer...

Vou ser Deus dos meus sentidos...
Deus ainda da emoção
dos sentimentos sofridos...
Que ainda que isolada, me arrebatam o coração...

A. Rocha

TGV – Linha Lisboa-Porto (26/08/2008)

Para todos aqueles cujo trajecto do TGV anda a intrigar, seja por mera curiosidade, ou preocupação pelos seus bens patrimoniais, fica aqui o link para pesquisar, no Diário da República Electrónico, as plantas lançadas para este projecto.

Diário da República N.º 61 de 27 de Março de 2008 - Capítulo respeitante ao Ministério das Obras Públicas (Pags. 1783 ss).

Mas para facilitar a vida aos meus conterrâneos, ficam aqui as imagens de Vila Nova de Gaia.



When God Takes a life e replaces it by another (09/08/2008)

Há muito que venho a manifestar o meu descréito pela humanidade... na verdade, hoje cheguei à conclusão do porquê de estarmos repetitivamente a aprender as mesmas lições... para que a nossa alma se ilumine com a sabedoria que podemos retirar de cada erro, de cada experiência... Hoje, apesar da tristeza que me invadiu, percebi o fundamento de toda esta agonia que tenho sentido, o porquê deste descrédito continuo pela humanidade e, principalmente, pelas pessoas que nos invadem os trilhos e que, sem avisar o deixam com desdém... porque WHEN GOD TAKES A LIFE, HE REPLACES IT BY ANOTHER... Porque ninguém é insubstituível, por mais que achemos que o é; porque por vezes valorizamos as pessoas erradas, quando anjos permanecem do nosso lado; porque nem sempre é naqueles que encontramos a diversão, que encontramos a paz de espírito e porque apesar de ser sempre difícil cortarmos as amarras daqueles que amamos, nem sempre somos correspondidos com igual fulgor... e o sofrimento é maior quando assim o é.
Porque afinal nunca estaremos verdadeiramente sós, há sempre alguém que nos ama, que nos admira, mesmo que de longe... Porque teremos sempre o amor inconfundível dos nossos parentes, daqueles que nos acompanharam ao longo das vidas, dos amigos que,mesmo após uma zanga não desistiram de nós... porque nunca duvidaram da bondade das nossas almas... Porque há sempre alguém que se recorda de nós com nostalgia e carinho, porque há sempre alguém que nos dirige um sorriso verdadeiro, porque há sempre aqueles que nos abraçam e por quem nos sentimos muito amados e, por menos que sejam, eles existem, suprem a falta de quem nos larga a mão e tornam a vida mais suportável e este mundo - onde impera o egocentrismo - um lugar bem melhor para se viver...
E afinal, porque os Gregos já sabiam: depois do Pathos e da Catástrofe, há sempre a Anagnórise e a Catarse - uma descoberta e a purificação que surge dela...

Comer com os Olhos (19/08/2008)

Viagem Medieval em Terras de Santa Maria

"Três foi a conta que Deus fez", já rezam os antigos e, não querendo deixar a sabedoria popular ao acaso, foram três a vezes que nos deslocámos às terras de Santa Maria da Feira para mais uma edição da Viagem Medieval.

A primeira vez nunca se esquece :)

Muitos convites feitos para 6.ª feira, muito pouca, porém, a disponibilidade, foi no Sábado então, que seguimos para Santa Maria da Feira, desta vez, não os do costume, mas um manancial de gente muito bem disposta, agregado ao convite que eu e o Paulo fizémos à Ana e ao Sílvio, vieram também irmãs, primos, sobrinhos... enfim, um corropio que não foi, de todo, nada desagradável, pelo contrário, já não me divertiae me sentia assim tão bem há muito tempo. Sem querer divagar muito, por vezes é mesmo na simplicidade que encontramos o que nos faz mais feliz e foi isso que aconteceu.

À chegada, muita gente esfomeada e, porém, as filas eram uma constante, mas como éramos muitos, conseguimos dividir-nos de modo a conseguir rapidamente os nosso alimentos que, para não variar muito, foram fêvera no pão e sangria (ai que fome).
Bebido o jarro(ão) de sangria, fomos passear... Compraram-se alfinetes, aneis, torrões de alicante (huuummm), lambarices, bebeu-se ginjinha, riu-se, riu-se muito... Notámos é que, este ano, o tradicional hospital que tratava os enfermos tinha desaparecido, logo agora que íamos pregar um susto ao Pedro. De resto, não há muito de novo a salientar, praticamente as mesmas animações e temáticas, pelo que, na minha mais sincera opinião, urge acrescentar algumas mudanças a esta feira, para que, cada ano que passe, se torne mais interessante e não apenas repetitiva. Mas a verdade é que a organização já interiorizou que, onde houver comida e bebida condimentadas com alguma animação, há festa para o bom Português, portanto, isso é que, de facto interessa... E para o Ano há mais:)

Try again

Nunca se nega um convite e, como o Paulito e a Joana nos convidaram a ir á Feira no Domingo, lá fomos, até na esperança de estar menos caótica.

O que há para salientar acerca deste dia? Um negócio da china, ou melhor, de Marrocos. Ali estava, aquele candeeiro em pele, piramidal, em tons de cor de laranja quente, que eu tanto queria, mas custava 45€ e o Paulo também queria um N'arguillé (não sei se é assim que se escreve), que, por sua vez, custava 35€ e raios partam o espírito consumista, ainda queria uns chinelos, tudo isso na mesma vendinha de Marroquinos. A soma de todos os produtos ascendia aos 90€, tentámos fazer negócio e desceu aos 80€ mas, para meu espanto, já com os chinelos em posse e o N'arguillé embrulhadinho, vou buscar o candeeiro e ele afinal custava 80€!!!! Mas a senhora disse para eu trazer, até me doeu a consciência, mas a verdade é que fizémos um negócio da China, apenas pelo preço do candeeiro, trouxe um N'arguillé e uns belos chinelinhos:)

À terceira é de vez

Por fim, eu e o Paulo, bem sozinhinhos, fomos à Feira com o intuíto de nos despedirmos e de fazer umas últimas aquisições... Lanchámos por lá e eu devo dizer que comi um pão com chouriço quentinho que ainda hoje, que escrevo, não me sai da cabeça.
Assistimos também, nesse dia, a uma representação de marionetas simplesmente divinal (gostava tanto de saber fazer aquilo)!
E, antes de talharmos novamente o caminho até casa, fomos comprar uns belos copinhos de chá e um saqunho de chá de menta e hortelã simplesmente divinal.

O bom o mau e a decepção

O bom: O mesmo de sempre, a comida, a bebida, as doçarias, o espaço, a companhia...:)

O mau:
As indumentárias dos figurantes (muito fracas se comparadas as de óbidos), os temas repetidos, as pessoas que chegam até a ser "animalescas" nas esperas.

A decepação: A repetição de um sem número de animações... toca a inovar!

Beijinho

Comer com os Olhos (17/07/2008)

Aproximam-se as férias judiciais e o trabalho aqui no escritório não acumula. O calor faz-se sentir lá fora. As pessoas, mesmo nos seus trabalhos, estão mais alegres, mais bonitas, mais sorridentes e cheias de esperança num sol que brilha lá fora.

Este é o período em que começa a euforia por tudo o que refresque, Calipos, Coca Colas, piscinas, etc. Procuram-se destinos paradisíacos onde serenidade e animação confluem, ainda que de forma paradoxal. Portanto, há que planear as férias (sim, porque só esta semana soube que seriam durante o período de 1 a 14 de Agosto, mês que particularmente não gosto muito, mas para quem não ia ter nada à partida, é muito bom). Mas este ano os planos não seão muito complexos... apetece-me correr terras e terriolas, comendo, com os olhos, cada estátua, cada monumento, cada costume e tradição... esse percurso já começou, ainda que as férias o não tenham, mas há que aproveitar estes maravilhosos fins-de-semana.

5/6 de Julho de 2008
Rumo a Arouca


Apesar de apenas ser feita há dois anos, a recriação da vida quotidiana do clero monasterial de Arouca, já se tornou tradição e se, por motivos que me ultrapassaram, no ano transacto não pude ir, este ano, depois do convite do João e da Paula, lá fomos.
A viagem foi animada, falou-se de imensa coisa (eu a olhar para trás e a enjoar e quase a vomitar para cima da Paula...lol) e nem demos pela rapidez com que chegamos ao nosso destino, St.ª Eulália, onde fica a casa da Paulinha e que tantas vezes nos recebe nos nosso retiros ZEN.
Como ainda era cedo, fomos visitar o cenário de recriação... às 19h assistimos à abertura dos portões da recriação e ansiosamente entramos para observar tudo minuciosamente. E estava tudo fantástico, ao pormenor. Ao contrário de outras cenas de recriação, como é exemplo a Viagem Medieval de Santa Maria da Feira, sentimo-nos inseridos no ambiente que ali se representava, desde os figurinos totalmente fidedignos, à representação dramática levada ao extremo, sentiamo-nos completos "outsiders", como que espectadores de uma peça de teatro. Fenomenal! Vimos de tudo, desde viúvas carismáticas, abadessas resmungonas, cozinheiras alegres, noviças submissas e freiras em convalescença.

Eis os Pontos mais marcantes da recriação:

- Vigilia a uma Freira doente (com diretito a representação do sangramento);
- Botica 8onde eram confeccionados os remédios naturais);
- Chás;
- Cozinha (onde se confeccionava a ceia dessa noite);
- Representação do abandono de uma criança na Roda;
- Um jovem que visita a prima (que não é prima, se me faço entender;).

Bem, um vasto rol de ambientes hipotéticos da vida no Convento de Arouca, totalmente bem ensaidos e recriados. Apesar da força da actividade não ser megalómana, como a de muitas outras, pela sua simplicidade e, certamente, baixo orçamento, abrangeu pormenores bem importantes a nível cultural. Parabéns á organização.

Ah, obviamente havia comes e bebes e doçaria CONVENTUAL... mas era melhor não me aproximar muito...:)

P.S. Eu vou postar fotos (quando o João mas desenrascar:)).

Comer com os Olhos - Mais um Fim-de-semana ... Em Óbidos (24/07/2008)

19/20 de Julho - Óbidos
Mercado Medieval


Este era o último Fim-de-semana em que o Município (organizadíssimo, diga-se de passagem), de Óbidos levava à cena, na cidade muralhada, o Mercado Medieval, este ano apoiado nos temas do Amor e Guerra.
Os do costume - eu, o Paulo, o João e a Paula - decidimos visitar esta Feira, visto que somos visitantes assíduos da concorrente em Santa Maria da Feira, tínhamos uma enorme curiosidade em ver como outras terras e outros povos tomavam este tipo de actividades de recriação.

Partimos pela manhã, seriam umas 10h 30m. O caminho foi moroso, o clima estava bastante quente e, para poupar nas portagens, decidimos fazer a viagem até Leiria pelas Estradas Nacionais, seria impossível aguentar o percurso por Auto-estradas, porque não seria possível abrir os vidros. O percurso fez-se bme, ainda que a viagem tenha sido, de veras, cansativa e seriam cerca de 14h quando chegamos às Caldas da Rainha, onde ficaríamos alojados. Almoçámos no Parque e partimos à procura da Residencial (e a Andreia - eu - decidiu ficar a "pascaçar" para a fachada de uma casa e espetou-se toda contra um meco de cimento. Magoei-me e bem, já fui lesionada para Óbidos, mas são coisas que acontecem).
Descobrimos a Residencial e, o mais depressa que pudemos, estabelecemos uma conversa com o simpático dono, travámos conhecimento, subimos aos quartos apressadamente para deixar as malas e partirmos em fúria para "Oppidum".

Cerca das 17h 30m chegámos, estacionámos sem qualquer dificuldade e pudemos apreciar os cenáros sem cotoveladas, porque apesar do número de pessoas não ser pequeno, havia muito espaço.
Óbidos era a mesma cidade de sempre - as casas tradicionais, pequenas brancas e azuis, "habitadas" por lojas de artesanato para os mais variados gostos. Repetiam-se as meninas, em trajes medievais, que serviam a famosa Ginja de óbidos em copo de Chocolate... hummmmmm :p (parecia o "mon cherri" sem aquela cereja remelosa;)

Entrámos no dito mercado, depois de percorrermos a longa "Rua Direita" até à entrada do Castelo. Eis que nos surge um casal amistoso de curandeiros que queriam ajudar a população nas suas maleitas. Mas que representação fizeram...! De facto, fizeram-nos tornar no tempo, às ruas das cidades medievais. Foi neste aspecto que esta feira ficou a ganhar, na animação ao longo dos espaços.

Seguidamente, pudémos deliciar-nos com artesanato marroquino, peças muito, muito belas, mas também muito caras, por isso, fiquei mesmo com elas gravadas na memória, nada mais;)

Foi pouco antes da 19h, que descemos até ao acampamento dos soldados (uma longa caminhada), onde o ambiente estava perfeito, aliás, esta feira tornou também a ganhar pelo realismo dos espaços recriados. Nesta zona assistimos a cerca de 1h de torneios (Justas medievais). Apesar de bastante longo, o espectáculo foi pautado por enorme fidelidade às tradições medievas, como os jogos realizados, a indumentária dos cavaleiros, os dizeres d'el Rei, atc. Mas não é possível tecer comentários, sem mencionar o profissionalismo com que os cavaleiros (principalmente um de nome Olivier) encarnaram as suas personagens. O público também se mostrou entusiasmado e colaborou na recriação, o máximo que pôde. A encenação das justas foi muito curiosa, apenas pecou pela escassez de lugares sentados (num espectáculo com mais de uma hora e com uma perna lesionada, no final só queria era dormir):)

Deixámos passar um pouco o reboliço das pessoas, no final das justas, para nos dirigirmos à zona da alimentação da Feira. Divinal, as tabernas estavam implantadas em casas-cenário, mesmo junto ao Castelo. Cheirava a carnes assadas e espalhavam-se, por toda a área, os músicos encarregados de animar a feira, vindos de várias zonas do globo. Respirava-se animação, a música espelhava esse estado e os estômagos fartos também:)

Lá (24/07/2008)

Para lá da varanda
que inerte habitas
existe um mundo farto
que insistes em ver de longe...

Lá, donde vieste
As ondas retombam
os olhos estagnam
e o tempo emudece.

Para lá desse teu mundo
As areias movem-se
correntes te agrilhoam
Olhares te rasgam.

Lá, donde vens
Não há passagem das horas
Há braços que te apertam
Olhares que te amam.

Para lá do mundo que habitas
As gentes acotovelam-se
As rotinas repetem-se
a humanidade urge.

Lá, donde vens
Não há rostos soturnos
O cizentismo é insólito
e a escuridão cessou.

Lá, donde vens
Não se pisam as gentes,
Não se atacam os bichos
... não se vertem lágrimas...

Lá, donde vens, também eu gostava de ter vindo...
Mas para lá desse horizonte,
Aos nossos olhos, o mundo é findo...

A. Rocha.

Neverending Story (01/07/2008)

Quantos de nós já perderam o contacto com pessoas que ama, ou ele é tão moderado, que essas pessoas, sem que nos apercebamos, perdem algumma da relevância nas nossas vidas? Muitos de nós, certamente, e não devo ser excepção à regra... mas eu tenho uma história curiosa...

Aquando da minha estada em Aveiro, conheci alguém muito especial, uma menina diferente, sempre pronta a ajudar. Apesar do pouco tempo de que podíamos usufruir juntas, havia sempre forma de sabermos os nossos sucessos, as nossas angústias e até mesmo as nossas desventuras amorosas, nem que o meio de comunicação fosse uma tão tradicional carta, entregue, em mão, aquando de um breve cruzamento nos corredores do DLC.

Mais tarde foi minha madrinha... não de curso, julgo eu, acho que decidimos cognominar-nos dessa forma, devido à necessidade de nos sentirmos mais próximas... E até porque já tinha o meu Padrinho Nando, sem dúvida, outra personagem que adorei ter conhecido.

Foi no meu 4.º ano - no seu ano de estágio - que os nossos caminhos se afastaram, o trabalho era muito, o tempo sobrante, muito pouco e a comunicação efémera... eu própria me desleixei daquela presença que já não sentia tão próxima... Mas valha-nos a internet, que encurta as distâncias e nos traz, para bem perto de nós, pessoas que julgávamos ter perdido no trilho. Retomámos tudo, talvez até em força redobrada e, neste último sábado pude abraçar novamente a minha madrinha Angie... Inexplicavelmente, soube a pouco, gostava de ter ficado horas a falar contigo madrinha. Foi bom ver-te feliz, com a pessoa com quem decidiste construir a tua felicidade... e acho que sabes o quanto acreditei que conseguirias alcançá-la. Fico feliz por te realizares profissionalmente, mas nunca te esqueceres dos que te rodeiam, não perderes essa humildade e espírito de solidariedade, que sempre tiveste... nunca negaste um apontamento, um livro, uma gramática... isso torna-te uma pessoa especialmente bela, e por isso me orgulho tanto por fazeres parte do meu leque de amigos e por, embora distante fisicamente, poder chamar-te amiga, daquelas que me são mais próximas... Obrigada pelo desvio... Soube bem...:)

Beijinho doce da afilhada que gosta muito de ti e te admira...

E aproveitando o espírito lamechas, não queria acabar o post sem relembrar, ainda na continuidade do assunto, aquelas pessoas que marcaram a passagem por Aveiro e que, apesar do pouco contacto, ainda me fazem sorrir... Obrigada Pedrocas, obrigada Nando, obrigada Tiago, obrigada Madrinha... Keep on touch!:)

Good Friends needed (07/07/2008)

Olho adiante... um caminho onde vigoram ervas daninhas, urtigas repletas de espinhos, dispostas a magoarem-me à minha passagem. Não me resta outro caminho a tomar... percorro o trilho e acaricío levemente as ervas agitadas por leve brisa... Sustentam-me ainda, com força inigualável, embora insuficiente para carregar o peso que trago. Quero continuar, faço-o sozinha, porque não há quem me queira agarrar. Quantas as almas que ficaram para trás? Quantos corpos sedentos do meu carinho desprezei? Muitas cairam à minha passagem indiferente e agora, que quem agarrei com forças desmezuradas, me larga as mãos friamente, é que sinto falta daquelas almas, daquele intimismo, daquela carícia que deixei para trás. Sinto falta das vozes dos que me amavam de qualquer forma, dos que ansiavam a minha presença, dos que partilhavam sorrisos e mos retribuiam... sinto a falta de abraço forte depois de um choro... sinto a falta de confortar e ser confortada...

Quero voltar a ter presente os que queriam a minha amizade, os que me defendiam de titãs ferozes, de todos aqueles que possa ter desvalorizado e que ainda assim, não me retiraram o valor que tinha... Agora que traço o trilho sozinha, vi o quanto deixei para trás e o quanto anseio reencontrar o toque das vossas mãos... Agora que a humanidade me mostrou que a amizade é a mais nobre das relações, mas perde, nos dias que hoje correm, todos os valores que os antigos lhe impugnaram. Que as relações humanas não passam além de meras necessidades especiais e que se desvanecem à força de um piscar de olhos. Agora que olho e vejo quanta mágoa podemos provocar e que essa mágoa retorna a nós quando menos esperamos... Que o destino se encarrega, à sua maneira, de retribuir tudo o de bom e de mau... eu, que extingui tantos à minha passagem, que descurei da amizade que muitos me ofereciam em troca da minha simples presença... Sinto agora o rio retornar, transportando, porventura, toda a mágoa que infligi. Embora sozinha, tomo-me de esperança de encontrar pessoas que valham a pena, como as que deixei para trás, num mundo que nos tornou alienados e insensíveis às emoções dos outros, que estão mesmo ao nosso lado. Aprendi, à força, que, por vezes, é mais que necessário volver o pescoço, baixar o tronco se necessário, para sustentar aqueles que, por vezes no nosso caminho tombam... Aprendi que não custa retribuir, aprendi que cada pessoa que se cruza connosco deve ser valorizada por tudo o que ela é, porque cada um de nós tem uma essência que nos torna verdadeiramente especiais... cabe-nos a nós, dar a mão a todos, valorizar cada pessoa, por mais insignificante que nos pareça, cabe-nos a nós, tornar as pessoas especiais, fazê-las importantes ao nosso olhar vazio. Cabe-nos, a todos nós, repensar na vida que temos levado, nos valores que temos tomado como ideais e retomar o verdadeiro sentido das nossas vivências, e principalmente, das pessoas que têm pé assente nelas e que, nem sempre, são devidamente valorizadas... A todos que já percorreram o trilho comigo, que me deram a mão e que intervieram nas minhas vivências, obrigada...


Uma musiquinha e o vídeo bonitos:)

Tragedy - Brandi Carlile

Sorry I'm only
Human you know me
Grown up oh no guess again

My days always
Dry up and blow away
Sometimes I could do that too
But make no mistake that

When you need a friend
You could count on anyone
But you know I'll defend
The tragedy that we knew as
The end

Progress, changing
Growing then giving up
Somehow we're never quite prepared
But I understand it

When you need a friend
You could count on anyone
But you know I'll defend
The tragedy that we knew as
The end

So taking you with me would be like
Taking all your money to the grave
It does no good to anyone especially
The one you're trying to save
But it's so hard not to save

When you need a friend
You could count on anyone
But you know I'll defend
The tragedy that we knew as
The end

"Rockalhada" - Relatos Rock in Rio 6-6-08 (16/06/2008)


Foi na área de serviço de Pombal que ouvi esta expressão. Um grupo de jovens (jovens mesmo, eu daquela idade nem sonhava ir para o Rock in Rio)comentava: "Hoje é só para a «Rockalhada»" - e foi.

Dia 6 de Junho de 2008, partimos cerca das 15h e o calor fez-se sentir nessa tarde, apesar do vento. E, eis que, após uma morosa viagem, chegámos ao nosso destino -o "Parque da Bela Vista". Que, de belas vistas, pouco tinha.:)

Após subirmos uma ribanceira com uma inclinação para aí de 80% (que exagero), chegámos à entrada da "Cidade do Rock"...

1.ª Peripécia: Eu entro, após mostrar a minha mochila, e o meu namorado fica impedido de avançar, porque um grupo de jovens, na sua frente, decidiu trazer a merenda (eu escusava era de ter dito isto ao Polícia que se "espalhou" a rir, até porque deve ter notado uma certa pronúncia nortenha, quase impossível de disfarçar).

Finalmente entramos e começámos a analisar minuciosamente o recinto, embora isso se tenha tornado uma tarefa um tanto difícil, tal era a quantidade de poeira no ar (o que me valeram foram os óculos).

2.ª Peripécia (O Sapo): Eis que vimos... os sapos, bem, já desde que os tinha visto no "Comboio da Sabedoria", em Campanhã, que estava morta por tirar uma foto com ele... Ora, após momentos de hesitação, motivados por algum pejo... pronto, lá se tirou uma foto com o Sapo (muito simpático, por sinal). :)



3.ª Peripécia (A comida):Eh pa, para comida nunca se nega dinheiro, mas a verdade é que 13 euros por duas sandes recessas e dois refrigerantes, é um valor um tanto atronómico. Mas a necessidade era muita e lá nos sentámos num "pseudo-jardim" a devorar o nosso manjar dos deuses (ou não).

LET THE SHOW BEGIN

Ora, apesar de todos os brindes e diversões que inundavam a "Cidade do Rock", eu estava-me claramente a borrifar para isso tudo e, o que eu queria mesmo, era "rockalhada". Quase nada assisti do concerto dos Orishas, até porque não era muito do meu interesse, mas quando os "Kaiser Chiefs" começaram a actuar, eu já estava de bariguinha cheinha (ou não), plantada junto ao Palco Mundo. Mas que som!!! Pouco conhecia do projecto desta banda, ou melhor, só conhecia a "Ruby",que obviamente não foi esquecida no alinhamento dos rapazes.(foi a primeira vez que o meu namorado conhecia mais músicas de uma banda do que eu, porque pelos vistos, os rapazes têm os seus temas incluidos no FIFA e no PRO EVOLUTION SOCCER... K traço!). Têm uma sonoridade muito "Beatles", com uma pitadinha de "Oasis". E claro, têm também algo de original e a presença em palco, em nada deixou a desejar, tiveram, constantemente, uma óptima interacção com o público e um entusiasmo contagiante. Tudo isto misturado com alguns êxitos - que só no momento em que escrevo é que a expressão tem lógica, pois na altura, eram tudo menos êxitos:)- como "I Predict a Riot", "Every day I love you less and less", "Oh my God" e "Born to be a Dancer" resultaram numa entrada com ó pé direito, numa noite que prometia ser auspiciosa.



SENTADOS NO CHÃO À ESPERA DOS MUSE

"Knights of Cydonia", foi desta forma esplêndida com que os Muse decidiram iniciar talvez o melhor concerto da noite (ou não estaria lá eu por causa deles:). Um breve apontamento a este espectáculo deve obrigatoriamente passar pelos efeitos cénicos a que já nos habituaram os nossos amigos Muse, onde "palavras de ordem" vigoraram em "placards" gigantes e deram força aos gritos da multidão em euforia:

"No one's gonna take me alive
The time has come to make things right
You and I must fight for our rights
You and I must fight to survive"

Foi uma entrada explosiva e, se a ela lhe juntarmos "Map of Problematique" e "Hysteria", temos um concerto bastante promissor.

4.ª Peripécia:
Pois, eu decidi ficar a assistir ao concerto num local com uma visibilidade estonteante e... rodeada de betos, que não davam sequer um pulo. Eu já a ficar rouca e as pessoas a olharem de soslaio, como se pensassem: "esta deve ser "passada". Decidi ir procurar mais "passados" e, por incrível que pareça o concerto soube muito, muito melhor.

Mas os pontos altos da performance dos Muse, foram, sem qualquer dúvida "Starlight", "Time is Running up", "Plug in Baby" e "Stockholm Syndrome". Durante "Time is Running Up" Mathew Bellamy chegou a afastar-se do microfone para ouvir um público afinado e coordenado dar vida às suas composições. Até fez arrepiar.

Os Muse despediram-se do Palco Mundo com "Take a Bow" num concerto que marcou pela perfeição (apesar de um pequeno contratempo com a guitarra, durante "New Born"), a rapidez com que "vomitaram as músicas" (devido à escassez de tempo), mas, por ainda assim, conseguirem estabelecer uma relação de empatia com o público e por uma brilhante conjugação do óptimo poder performativo da banda, com os ambientes cénicos criados.





MR. NOODLES & C.ª

Passaria pouco tempo das 23h, quando "The Offspring" tomaram posse do Palco Mundo. E não poderiam ter iniciado o concerto de uma forma melhor, com "Bad Habit", uma das "antiguinhas" e provavelmente uma das preferidas dos apreciadores da banda. Não fiz questão de apontar os temas que foram sendo tocados pelo grupo, mas ficaram-me na memória, talvez pelo entusiasmo que tenham criado, "The Kids aren't alright", "Gone away", "Self estime" e tantos outros que deliciaram a minha adolescência parva. Não posso deixar de retomar o momento em que se ouviram os primeiros acordes de "Pretty Fly (For a White Guy) e o delírio do público... PLEASE!!!!! É possivelmente a música mais fraca da banda, e não entendo o delírio, mas está bem.

Notas a este concerto? Muito poucas. Apesar de gostar da banda, tento ser imparcial, e esperava um concerto mais poderoso. A nível cénico, nada apresentaram, a presença em palco foi muito fraca (apenas Noodles se destacou) e, a certa altura, o alinhamento apenas sondou o album "Americana", que para mim, foi o primeiro albúm editado pelos "Off", onde estes começaram a deixar de ser quem eram. De resto, a voz de Dexter estava surpreendemente perfeita, os arranjos estavam bem (parabéns à equipa de som) e as poucas musiquinhas que saíram da arca, souberam muito bem e permitiram-nos dar uns valentes saltos.



5.ª Peripécia: Estou eu, já rouca (ainda não afónica, isso foi no dia seguinte), sentadinha, à espera do concerto dos Linkin Park (paguei, portanto, vejo tudo, para ter sempre a sensação de que não foi dinheiro mal empregue). E alguém cai por cima de mim... literalmente por cima de mim. do género: eu estou sentada e caem em cima das minhas costas e a "Je", sempre muito oportuna e com as melhores palavras à espreita para saírem da boca diz: "Ei, oh migo!". O rapaz, atrapalhadito pediu desculpa, e eu a rir-me (se me tivesse magoado, não estava a rir-me de certeza).

O DESFECHO

Eis que começa o último concerto da noite, e neste é que não me vou alongar em comentários. Toda a gente sabe que não é uma banda que aprecio, os Linkin Park, no entanto, sei uma ou outra música, porque já toda a gente passou a fase do pessimismo e egocentrismo típicos da adolescência, porém, nem toda a gente ficou estagnada nela (ai que má). Mas algo devo afirmar, os rapazes são óptimos em palco, embora o vocalista não tenha resistido a duas horas de concerto e desafinasse um bocadinho aqui e ali. Foram, sem qualquer margem para dúvidas, a banda que mais empatia desenvolveu com o público (embora seja lícito questionarmo-nos se as restantes não teriam feito o mesmo se usufruissem do mesmo tempo de espectáculo). No entanto, temos de admitir que, apesar do fraco género musical, que a mim, pessoalmente, não me diz nada (mas os gostos são muito discutíveis e relativos) os rapazes são muito bons em palco e são verdadeiramente simpáticos.



E assim findo o meu relato dizendo: EU FUI! E GOSTEI [DOS MUSE PRINCIPALMENTE]

25/06/2008

Sinto a falta de tudo e de todos... sinto principalmente a falta dos tempos em que nenhuma destas preocupações me assolavam a alma. Sinto a falta de falar e de ser ouvida, sinto a falta de ser reconhecida no meu ínfimo valor, sinto a falta dos amigos que costumavam confortar-me a alma. Sinto a falta de um olhar meigo, sinto a falta de uma carícia, sinto a falta do respeito prometido. Sinto a falta de sorrir com sinceridade, sinto a falta da felicidade, do conforto que me trazias. Sinto a falta de me sentir livre, sinto a falta do aconchego dos meus lençóis. Sinto a falta de ser pequenina no teu colo. Sinto a falta de tudo e de todos... só queria o que já tive e perdi!

Uma Janela Virada para o mundo (27/05/2008)

É no tédio das minhas tardes de trabalho, que vislumbro a janela que tenho virada para o mundo. Um mundo de coincidências, de factos, de sucessões, de realidades que coexistem paralelamente a esta minha.
Gosto de ver o mundo, do alto deste meu pedestal, que a cidade ergueu sumptuosamente para mim. Gosto de vislumbrar este pequeno mundo aqui do meu alto parapeito. Agrada-me ver a fúria das pessoas em correria imensa, gosto de observar e unir-me em compassividade, com os casais que timidamente partilham carinhos num eterno banco de jardim. Atónita observo os automatismo de toda uma cidade que deixou de ser povoada por gentes, mas agora por robôts, que correm ao ritmo das suas próprias angústias. Olho com prazer, para aqueles que não se deixaram tocar pelos maquinismos e pelas rotinas corriqueiras e insitem em dar dois dedos de conversa despreocupada. Fito as gentes do costume... o calmo senhor do quiosque, o porteiro sorridente, os vendedores soturnos e apressados... Toda o reboliço de uma cidade aos meus pés, e eu inerte, obsrevando-a... faz-me sentir calma, neste meu etéreo posto, faz-me sentir diferente, igual a muitos outros, mas diferente destas gentes que se acotovelam em busca de tudo que eu já tenho à partida... um mundo a meus pés.



"Mulher à Janela" - Salvador Dali

Soltar Amarras (03/06/2008)

Tornei-me uma máquina do racionalismo, por entre todas aquelas que se arrastam no mundo lá fora. Faço o que é conveniente, torno-me convencional, corro os trilhos traçados por outros como se fossem meus. Mas numa negação estridente faço tudo isto, faço-o numa necessidade de me enquadrar numa sociedade que já pouco ou nada me diz; faço-o para não me salientar pela diferença; faço-o para não ser olhada como rebelde... mas faço-o com desdém.
Olho os que me rodeiam repetir os automatismos que outros acharam por bem institucionalizar. Mas eu não decidi assim... quem decidiu então por mim?
Desejo ainda encontrar emoções que não encontrei. Desejo ainda experimentar o que não experimentei. Anseio ainda olhar para dentro de mim e saber o que eu realmente quero... Mas tenho a certeza que não quero ser convencional, não quero fazer parte dos alienados carneiros que seguem o mau pastor.

Uma prenda para os pequeninos (28/05/2008)

TENHO MONSTROS NO MEU ARMÁRIO

A noite cai...

- MAAAAAAAaaaaaãeeee! - Gritou bem alto o Miguel, lá de dentro do seu quarto.

- Que foi, Miguel? - Acorreu logo a mãe.

- Tenhooooo moooonstros no armáaaaaaaaaaariooooooo!

Não havia noite em que não fosse esta gritaria. O Miguel chorava, tremia e assustava-se com os monstros que via espreitar de dentro do seu armário.

O que o Miguel não compreendia, era porque é que os monstros se transformavam nas meias que ele não arrumara. Mal a mãe acendia a luz, transformavam-se em meias... será que tinham medo dela?

A mãe chegava e dizia:
- São apenas as tuas meias!
E os monstros logo se transformavam.

***

- MAAAAAAAaaaaaãeeee! Tenhooooo moooonstros no armáaaaaaaaaaariooooooo!

A mãe ligava a luz, e o monstro redondo transformava-se na bola que deixara a porta do armário entreaberta.

- É só a tua bola de Futebol, Miguel.

Será que o monstro redondo também tinha medo da mãe do Miguel?

E o Miguel voltava a dormir aterrorizado com a presença daqueles monstros.

***

- MAAAAAAAaaaaaãeeee! Tenhooooo moooonstros no armáaaaaaaaaaariooooooo!

A mãe chegava e o monstro peludo logo se transformava no peluche que espreitava pela porta.

O Miguel não percebia porque é que aquilo lhe acontecia e porque é que não conseguia resolver a situação.

***

A Noite cai...

- Hoje vou ser corajoso, não vou cerrar os olhos, nem me encolher, ou esconder de baixo da cama... Hoje não vou deixar os monstros desaparecerem.

Foi neste instante, que o Miguel viu uns olhos brilhantes a espreitar por uma pequena frincha na porta do armário, levantou-se a tremer, de lanterna nas mãos... pé ante pé, aproximou-se do armário e aqueles olhos brilhantes pareciam segui-lo...

PPPPuuuuummmm!
Caíram um monte de brinquedos por cima do Miguel e afinal aqueles olhos, eram só do boneco com que tinha estado a brincar.

Nessa noite, a mãe do Miguel não foi ao seu quarto atraída pelos seus gritos, mas por um reboliço... O do pequeno Miguel a arrumar as suas tralhas.

E todos os dias o Miguel passou a arrumar o seu armário e os monstros nunca mais apareceram.

Bons sonhos!:)lol... pa o k me dá qd n tenho que fazer.

?Nirvana (14/05/2008)

A chuva cai lá fora em compasso desenfreado, aflita escorre nas janelas dos prédios antigos, tal qual lágrimas abundantes.
Olho, contemplo... paro, na imensa agitação dos que correm lá fora, na pressa de procurar um abrigo... E o abrigo só lhes interessa naquele preciso momento em que a chuva teima em não cessar... assim que as nuvens se tanquilizam, no seu pesar, retomam as gentes o seu passo na calçada.
À medida que contemplo, sou capaz de nos rever, pobres seres, naquelas acções... Como somos pobres de espírito por vezes!
Numa altura em que o descrédito pela humanidade cresce, olho aqueles interesses frios, como que iguais às nossas passagens... Somos pobres, interesseiros, mesquinhos... Procuramos apenas o interesse e é essa razão do valor que empenhamos nas coisas ou nas pessoas que, infelizes, atravessasm o nosso caminho.
É portanto proporcional ao interesse, o valor das pessoas que tomamos na nossa presença... sendo que, como é óbvio... assim findos os nossos interesses, seguimos a caminhada... tal qual o pobre desabrigado renuncia ao abrigo assim que a chuva cessa...
Usados... usados se sentem esses abrigos, cansados da passagem de todos os que insitem em deixar nódoas e que, céleres partem, deixando para trás aquele cuidado...

Sê gentil, toma no teu peito todos os que te dão refúgio e não te evadas ferindo os que te querem...

Evitar o mal, fazer o bem, desapego e cultivar a mente = Fim do sofrimento
Nirvana
To far away... :(

Uma vida de pequenos gestos (20/05/2008)

Há dias assim, principalmente as segundas-feiras. Acordamos apáticos, vemos as nuvens lá fora, dirigimo-nos, tal qual rebanho, para o apeadeiro para dar inicio a mais uma semana repleta de entediantes rotinas. Mas esta segunda-feira, em particular, sentia-me diferente, talvez, pela primeira vez consciente da frieza das rotinas que tomamos.

Dirigi-me ao escritório, liguei o computador, imprimi o sumário do Diário da República, (maquinismo) o qual a minha patroa recebeu sem sinal sequer de anuimento. Basta, pensei, sou tão "Doutora" como ela, às tantas ainda mais culta do que ela... e sou tratada como um reles número... Sentei-me na secretária e deixei-me chorar na minha solidão.

Salta a janela do MSN.... hoje não me apetece falar, estou muda, frustrada, sinto-me só e inútil. O telemóvel vibra aquando a recepção de uma mensagem amorosa do namorado - não tenho paciência para te responder.

Tudo, no dia que decorria, parecia correr mal, mas a vida é feita de pequenos gestos, que, valorizados, acabam por encobrir, por instantes, a névoa que, por vezes, nos invade o espírito...

Gesto n.º 1: Pois é... vou aos correios deixar uma carta, mas está um monte de gente... Um amigo vem ter comigo, sai apressado do metro e, enquanto aguardamos a minha vez, falámos, sorrimos... por momentos, não se tornou longa aquela espera.

Gesto n.º 2: O namorado traz-nos envelopes, os quais precisamos muito, e, no meio deles, surge um lindo postal onde um pequenos sapinho brinca e diz que está feliz porque vai estar com o seu amor (eu sou a sapita):)

Gesto n.º 3: Cansada de um dia de trabalho e monotonia, vou dar uma aula de Português e, no exemplo de uma força de expressão utilizo a frase: "Estou farta de ti!", ao que o aluno responde: "Espero que não!" :)

Gesto n.º 4: 20H 30M Chego a casa e a minha mãe aguarda-me com o meu prato preferido para jantar.

Gesto n.º 5: Depois de um banhinho, o namorado vem ter connosco, traz-nos gominhas e faz-nos festinhas naquele síto das costas onde doía mesmo...

Um dia de pequenos gestos... mas bons...:)

Humanamente (07/05/2008)

Rompi...! Rompi com todos os convencionalismos.
Tropecei, deixei-me cair e tornei a levantar-me... para voltar a cair.
Agarrei-me ao que pude, a quem me deu a mão.
Ouvi a voz do diabo e dei-lhe toda a razão.

Parti corações, despedacei almas à minha passagem.
Rompi com o convencional, rompi contigo, com a tua imagem...
Provei ser nada e nada ser.
Rompi com a humanidade, fiz de mim animal perverso, cedi aos instintos mais primários apenas por prazer.

Rompi comigo, com todo o meu ser.
Olhei de soslaio para quem não conheço e invejei, desejei ter algo que não possuia. Deixei-te para trás, não rompi com o meu orgulho. Fugi do que temia.

Atei-te à minha memória.
Tomei-te nos meus sonhos.
Possuí o teu destino.
Agarrei-te a alma dispersa.
Tocaste-me o espírito, mudaste-me o rumo... imagem agora submersa.

Rompi com todos os valores.
E com o que te prometi...
Gritei gritos estridentes de fúria para me fazer ouvir.
Virei as costas, não cedi.
Ignorei-te, não te olhei... fugi de ti...
Fugi do que sinto, fugi do que me trás vida... errei, caí, retombei e agora só quero tornar a ti.

Num súbito rasgo de inspiração...

"... talvez o amor seja a mãe de toda a coisa viva." (12/05/2008)

A Elsa não está no escritório a dar-me o que fazer, o Alves saiu e diz que volta por depois das 17h. Resta-me o Manel, filho da Elsita, agora meu companheiro de horas mais mortas e companheiro de aparelho (se bem que já tirei o meu, mas acaba-se por se ficar com um certo sentimento de solidariedade daquelas horas de angústia que passávamos na cadeira do ortodontista de boca escancarada).
Continuando...
Dediquei-me à leitura, à leitura de um livro que deixei pendente, "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra.", de Mia Couto. Deixei-o pendente porque, na minha memória, reaviva sempre a morte do meu avô, dor que evito sentir... mas tornei a lê-lo e só me arrependo de não o ter retomado antes, a visão das emoções e sentimentos humanos, apropriados por pessoas simples, oriundas de Moçambique, fazem-nos repensar na vida que temos levado... e a frase do título fez-me pensar...

... talvez o amor seja mãe de toda a coisa viva...

Temos origem no amor, não resta dúvida, somos fruto de algo muito belo, vivido intensamente, embora nos pareça estranho, por vezes, falarmos da relação dos nossos pais desta forma... mas é a verdade, somos parte de uma segunda geração que, também ela pensa deixar legado...

No entanto, julgo que o amor é responsável por mais do que isso, é responsável por nos dar vida… se pudéssemos contabilizar todas as emoções que partem de um sentimento tão banalizado como este que tenho vindo a falar...

Gosto de relembrar o primeiro amor na adolescência (talvez por pensar que, é nessa altura que vivemos realmente e não na idade adulta que, como numa convulsão masoquista, nos enchemos de responsbilidades que não nos permitem viver, mas sobreviver)...as parvoíces que fazíamos, os sofrimentos avulsos a que nos acometíamos, por amar (se é que era amar) em demasia, exacerbadamente.

As mãos suadas, os rostos ruborizados e o corpo trémulo...
O desejo, por vezes lascivo, de deixar tocar os lábios vermelhos do sangue palpitante nos do outro alguém, por segundos que fossem...
Sentir o peito arquejar e a respiração sôfrega da ânsia que nos corre nas veias.
Uma tentativa falaciosa de se tentar esquivar dos braços que nos apertam, para retornar a eles em força redobrada...
Tornar a tocar os lábios... sentir a respiração do outro, halo da vida...
Deixar os corpos tocarem-se timidamente, à medida que a intensidade do beijo aumenta...
Medir as forças num abraço... trabalhar a astúcia com a ponta dos dedos e sentir a alma de alguém... a alma que se faz inspirar de todas as mesmas emoções...

E, no pequeno instante em que tudo isto decorre, perder-se no tempo, perder-se no espaço e prender-se apenas a um momento presente, que pode ser muito curto e fugaz para que o possamos reter na memória. Por segundos, minutos, horas, vivemos tudo intensamente, sem que nos apercebamos disso no interior de todo o nosso amorfismo...

Pois o tempo só nos passa ao lado quando vivemos e o espaço só nos parece indiferente quando partilhado com alguém que nos faça sentir vivos...


Não nos esqueçamos então de viver intensamente... amando:)

Almôndegas Redondinhas da Suécia (13/05/2008)

Caros Convivas:

Certamente se questinarão como será possível que eu tenha amais posts nos últimos dois meses do que em todo o resto do tempo de existência deste humilde blog. Eu dou-vos a resposta: TÉDIO!
O tédio provoca este tipo de rasgos de inspiração literária (ou não).
Por exemplo, o ponto mais alto do dia foi há pouco quando estive a tentar ensinar ao "boss" como se mexe na internet... mas o homem já tirava um cursozito corriqueiro de informática... mas o ele é querido e sabe umas coisas, vá lá...
A "patroa", hoje, está bem disposta... ri-se para mim e eu, com o terror (fruto do receio de mais uma descarga hormonal), sorrio timidamente de volta, não vá eu enfurecer a mulher por mostrar demais os dentes.:) Tudo brincadeira... vive-se pacatamente neste escritório...

Pois, por viver-se tão pacatamente, tudo é motivo e apanágio de divagações e atitudes puramente anormais...
Por exemplo, como é que uma pessoas consegue ser simpática às 10h da manhã?
- Porque já não estabelece comunicação humana há umas horas e, qualquer voz, por mais irritante que seja, é sempre bem vinda.

Outro exemplo: Quem, no seu perfeito estado, se ri para o computador?
- Fácil, quem não fala com mais ninguém... começo até a ter uma paixão platónica por este monitor delgadinho.

- Quem, no seu juízo, quase adormece por estar a ver quem faz menos barulho, o silêncio, ou próprio?
- Eu, não tenho ninguém com quem brincar, digamos que me refugiei no silêncio.

Portanto, que hei-de fazer eu? Eu tenho pensado, grande parte das vezes não se tratam de reflexões muito profundas! Mas passando à frente... Eu penso por exemplo em duas hipóteses de vestuário para o dia seguinte: uma para se estiver chuva, outra para se estiver sol. Pergunto-me também onde é que o Luiz Felipe Scolari anda com a cabeça, porque deve estar bem pior do que eu, mas pronto. Olho para os carros a serem rebocados ao pé do cemitério de Mafamude, que riso... (obviamente já reparam que, se me rio com coisas destas, não devo ter muito que fazer). E há pouco pensei: apetecia-me almôndegas... mas não umas almôndegas quaisquer, apetecia-me almôndegas do Ikea. Portanto, já tomei uma decisão, vou comer almôndegas redondinhas da Suécia, feitas cá... Mas nesta linha de pensamento, não sei bem se são almôndegas suecas ou se naturalizadas portuguesas, ou se têm dupla nacionalidade. Como não tenho no que pensar nos próximos 30 minutos, vou debater (comigo própria) acerca desse assunto.

:)



Um dia depois...
Podiam era ter-me avisado que era feriado em matosinhos... dei com o nariz na porta!:s

Nova Era… (05/05/2008)

Num intuito de suavizar este blogg, que há muito tem vindo a ter uma carga de melancolia, pois nele exorciso todos os males que, nas veias me correm, decidi escrever sobre coisas comuns, assuntos triviais que enchem as mesas dos cafés e que, apesar de toda a sua nulidade aparente, nos preenchem as almas de uma forma um tanto surpreendente.

Tal como os cinemas "Medeia" fazem chegar até nós, verdadeiras obras primas (um tanto desconhecidas e alternativas), tentarei que o blogg que dá vida a esta figura mitológica, possa também trespassar algo de novo a nível cultural. E, tal como a figura mitológica se envolve numa aura de misticismo, fantasia e convulsões de emoções, espero ainda causar experiências semelhantes a todos os que por aqui passarem... (Ah, é verdade Pedro, não me esqueci da tua novela psico-erótica - seja lá isso o que for...:)

MUSE

Uma das últimas confirmações do Cartaz do já tão badalado Rock in Rio Lisboa, é a banda britânica de Rock alternativo Muse. Não posso deixar de revelar a minha imparcialidade e afirmar: "Parabéns organização do Rock in Rio!"

Tenho andado, há semanas, a pensar e repensar, enquanto "actualizo" a minha enciclopédia sonora desta banda que até já estava um bocadinho esquecida, devo confessar. Hoje conclui: apesar dos 53€ (os dias que não tenho de trabalhar para os ganhar, meu deus!), apesar da distância e da gazeta que vou pregar ao Alves e à Elsa... Decidi ir... Parafraseando o slogan: "EU VOU!"

Porém, durante toda este trabalho de reflexão, como já havia dito, actualizei-me e recuperei muitos dos êxitos já passados da banda e não consigo deixar de ouvir uma música que acho, a todos os níveis, perfeita: "Time is Running out". Pulsam-me as veias quando ouço esta música, os pensamentos flutuam, divagam... é daquelas músicas que nos obriga a seleccionar um conjunto de imagens mentais, e agrupá-las como se de um filme em "slow motion" se tratasse. Nunca fizeram "video-clips" mentais?:) Depois, para além da composição musical (que é ela obviamente que nos proporciona esta viagem), vem a letra, que é de génios... Primeiro o cariz totalmente sexual da letra que acompanha o ritmo e a voz simplesmente sensuais (devo admitir que se escrevessem uma letra destas dedicada a mim, o meu ego insuflaria e muito), depois, a simplicidade de sentimentos e emoções expressos... a atracção física, aquela que, por vezes, é muito mais tentadora do que o próprio amor, resumidamente: a paixão está simplesmente presente a todos os níveis desta música e consegue ser um óptimo elogio às namoradinhas, sem que se tenha que "pregar" com um slow dos anos 80, com ritmos sonolentos que, em nada, atiçam a paixão... Por fim, vem a imagem, é neste campo que este trio também demonstra ser exímio, os clips de video são simplesmente fenomenais e todo aquele erotismo e química sexual imanente a toda a música são, naturalmente, apropriados pelo vídeo, juntamente com a força anímica das guitarras e da fúria da bateria, que são recuperadas pelas fardas e marchas militares, aqui, e no meu entender, símbolo das repressões sociais que, inúmeras vezes, limitam a paixão. Fica aqui a minha música de eleição dos Muse...

"TIME IS RUNNING OUT"

I think I'm drowning
Asphyxiated
I wanna break this spell
That you've created
You're something beautiful
A contradiction
I wanna play the game
I want the friction

You will be the death of me
You will be the death of me

Bury it
I won't let you bury it
I won't let you smother it
I won't let you murder it

Our time is running out
Our time is running out
You can't push it underground
You can't stop it screaming out

I wanted freedom
Bound and restricted
I tried to give you up
But I'm addicted
Now that you know I'm trapped sense of elation
You'd never dream of
Breaking this fixation

You will squeeze the life out of me

Bury it
I won't let you bury it
I won't let you smother it
I won't let you murder it

Our time is running out
Our time is running out
You can't push it underground
You can't stop it screaming out
How did it come to this?
Oh

You will suck the life out of me

Bury it
I won't let you bury it
I won't let you smother it
I won't let you murder it

Our time is running out
Our time is running out
You can't push it underground
You can't stop it screaming out
How did it come to this?
Oh

Basta de atirar pedras (09/04/2008)

Vinte e três anos não são uma vida, em termos de experiência, pouco ou nada transporto, mas já vivi o suficiente para passar a acreditar que o ser-humano perdeu a sua humanidade, tornando-se um ser frio, que acha ser demasiado custoso, olhar para o lado para ver quem pisa na busca pelas suas concretizações individuais.

Foram precisos vinte e três anos, muito tempo, para perceber que o humano perdeu a tolerância, ganhou em orgulho e todas as qualidades que o distinguia de um animal "dito" irracional se perderam e o homem não age mais do que em conformidade com os seus interesses básicos e a satisfação das suas necessidades pessoais. Mas o que doeu mais perceber, foi que os seres humanos não se apercebem que erram, que faz parte da sua natureza e que muitos pensadores dizem que são esses erros que nos permitem progredir nessa dita humanidade [perdida].

Eu admito... eu erro, torno a errar até me aperceber do que fiz, humanamente peço desculpa.

Admito ainda que, em momentos mais irracionais, corro desenfreadamente atrás do que julgo ser a minha felicidade e constituir os meus objectivos, mas calquei alguém pelo caminho, porém não raramente, olho para trás e tento redimir-me, da melhor forma que posso.

Admito, que nas minhas palavras e nas minhas acções, quantas vezes irreflectidas, magoo aquela pessoa outrora importante, mas tento novamente voltar atrás... Mas as pessoas perderam a humanidade, a tolerância, a solidariedade pelos pares... não há espaço para erros e eu sou apedrejada por essas frias sentenças que todos os dias me atacam e me ferem sempre um pouco mais... Por vezes, palavras e actos podem ser bem mais áridos do que pedras e ferir-nos muito mais profundamente do que aquelas...

Mas ressinta-se todo aquele que atira pedras e cometeu erro igual ou pior.

Ressinta-se todo o humano desprezivel que renega a fraternidade que deveria existir entre os seres, e trata aquele par como lixo, difamando-o, ferindo-o, transformando-o aos olhos de uma multidão, sem que ele possa eventualmente defender-se dos ataques que lhe são infligidos.

Ressinta-se todo o traidor que não hesita em desrespeitar a imagem de alguém, apenas porque errou.

Tu, que recusas a palavra, é que não mereces o respeito... mas ainda assim to concedem pobre humano, para que não deixes de acreditar na humanidade, como o miserável que é apedrejado por ti já deixou... Mas agora acabou, basta de atirar pedras... pensa no que erraste e guarda pelo menos uma para ti...

"Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama Decadência. A decadência é a perda total da inconsciência: porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."Bernardo SoaresLivro do Desassossego

IN MEMORIAM (13/08/2007)

"O último voo"


Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras. Mas só há duas nações - a dos vivos e a dos mortos. (Juca Sabão)


São 19h, revejo de relance as fotografias de umas férias um pouco pautadas pela tristeza e recebo um telefonema, era a minha mãe, ligava-me num total histerismo da casa dos meus avós. Decidi desligar e telefonar para lá, atende-me a minha prima Claúdia


- Claúdia, o que se passa?

- O avô sentiu-se mal...

- Mas chamaram alguém já?

- Já, mas não há nada a fazer... já se foi...


Foi ao som destas palavras que não consegui conter uma lágrima... Sinto, por momentos, as minhas pernas desfalecerem, a alma evadir-se do meu corpo e uma convulsão de pensamentos apodera-se de mim e nego, nego, por entre soluços que tenha acabado por ali...


Saio aos tropeçoes casa fora, e oiço o som aflito das ambulâncias, sinto um rasgo de esperança, algo em mim me dizia que algo ainda havia para fazer...


Chego enfim, abraçam-me numa dor solidária e lágrimas contagiosas multiplicam-se... Não há um rosto que não transpareça dor, uns fechados no seu pesar, choram, na sua maior intimidade... choram-lhes as almas!! Outros não contém a dor que sentem e as lágrimas escorrem fluentemente pelos rostos carregados e uns, ainda, gritam de desepero por alguém que já partiu. Mas todos, todos, ébrios pela dor...


Os bombeiros tentam, em vão, recuperar a chama que já se apagou e, em esforços múltiplos agarram-se àquele corpo já sem qualquer vida. Espreito pela porta entreaberta do quarto e vejo-te os pés avô, mas já não consigo ver a tua alma... toda a esperança de tornar a ver-te sorrir desvaneceu nessa razão de segundos...


Chegam ainda os médicos do INEM, que tudo tentam para te tornar a trazer, mas a notícia pela qual já esperávamos há muito foi enfim reconhecida, partiste sem dizer nada, numa morte silenciosa que nos abalou a todos...


Olho-te deitado na tua cama avô, toco-te temerosa e sinto ainda calor da vida que deixaste para trás. Agarro-te a mão, aperto-a com força insinuante, esperando ainda que retribuas. Pareces dormir, numa calma que desconheço. Passaste para a outra margem sem avisar, e vislumbro a imagem de um rio cuja corrente conduz o teu bote para a zona mais iluminada, estás belo, em graça... acenas para todos nós com a mão direita e na esquerda carregas um punhado de terra - memórias do que levaste desta vida. Sorris e piscas o olho... eis que relembro a última vez que as nossas palavras se cruzaram, foi esta manhã ainda...


- Com que então deram-te porrada para vires a ti ontem à noite?

- Pois foi filha, aproveitaram que eu estava assim (rindo), e a tua avó é que não teve oportunidade!

- Ah, pois, senão seria até com o cacete!

- Marota!!!


Riste-te e piscaste o olho como costumavas sempre fazer-me! Éramos almas contíguas, a tua essência corre-me nas veias, corre-me a tua música, correm-me as tuas emoções exacerbadas, corre-me a tua aparente boa disposição... sinto-te ainda vivo em mim, mas agora que abandonaste o teu corpo, mais do que nunca...


O teu cansaço era notório, foste descansar, cruzaste-te comigo, fiz-te uma carícia no braço e foi esta a minha despedida... É esta a imagem que revejo agora... vezes sem conta...


Ainda agora partiste e já sinto a tua falta, desejo, mais do que alguma vez sentira, abraçar-te, tocar-te, beijar-te, ter-te comigo como tesouro precioso guardado por ferozes criaturas, para ninguém mais te tocar ou corromper... mas não te tenho o corpo, só te tenho a alma... o que tinhas para dizer, já o disseste, o que tinhas para fazer, já o concretizaste, nada de novo esperamos de ti! Apenas nos alimentamos das memórias com que nos deixaste e do pouco de ti que corre em todos nós, no sangue que fizeste fluir e nas sementes que ajudaste a florescer.


Se ao menos te pudesse ter dito o quanto te admiro enquanto tinha a certeza que irias ouvir... agora não ouves e fica só esse ressentimento. Mas porque foste o meu tutor e um pai estremozo, essa admiração que te tenho só esmurecerá no momento em que eu também levantar para o meu último voo. Por isso avô, descansa, porque viverás sempre na eternidade de cada um dos que te amam...


"A morte é como um umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência." (Mia Couto).

Este humilde texto, composto muito pouco artísticamente não é para ser apreciado, foi a forma que encontrei para exorcizar a minha dor. A forma como cada um cicatriza as suas feridas é discutível e são inúmeros os meios... eu, embora com pouco labor, decidi prestar esta modesta homenagem a um homem que faz parte de mim, da minha essência, daquilo que eu sou... Tudo o que sei e amo na música foste tu que me ensinaste e todas estas emoções que carrego em mim, foste tu que mas depositaste na alma... és parte vital de mim, agora que deixaste o que te ligava a esta terra e partiste para o teu último voo, sinto que perdi um pouco de mim.

Certo é que nos deixaste memórias, e por isso nosso espírito chora saudoso, porque só nos resta isso... a memória... não esquecerei jamais esse teu sorriso, o toque do teu saxofone e a claridade imensa do teu olhar azul, da cor do céu, para onde partiste...


Requiescat in pacem (Que descanse em Paz)




Deambulações Nocturnas (02/05/2007)


E a noite finda…

Olho vagamente

As frinchas luminosas daquela janela,

De luz débil

Que da frieza da realidade me quer esconder.

Tento, a todo o custo,

Construir a imagem de uma noite

Que se estende lá fora

E que me isola no interior do meu ser.

Escuto atentamente

Os sons noctívagos desta cidade,

Que nunca dorme,

Mas que dormente assiste ao meu adormecer.

A luz alaranjada esmorece…

Os sons ténues embalaram os errantes nocturnos…

E nada mais noto na escuridão do meu quarto.

Súbita quietude… impavidez insólita…
e o desassossego do meu estar…

A noite dorme enfim e não eu…

Serei eu a Noite? Ou a Noite em mim pereceu?


21 de Fevereiro de 2007.2h. 25min.



Onde Estás? (16/10/2007)

Coloco-te, não raras vezes, num pedestal, que se ergue bem alto na minha consideração...

Contemplo-te, admiro-te, chego a desejar equiparar-me a ti, em toda a tua essência! Sorris-me então e não evito aquele ardor que fulmina o meu peito, iluminando os meus olhos... Tento agora alcançar-te, tu, que insistes em subir cada vez mais alto no pedestal onde assentaste pé.

Grande é o meu esforço, nula a tua reacção...

Olhas-me cada vez com maior despeito e nem sei mais se deva continuar a subida... contemplo-te novamente! Entoo aquele canto que outrora fora teu e nem reages! Toco-te na extremidade do teu corpo rígido... e não me sentes!

O desânimo que se apodera de mim, faz-me então recuar... sigo aquele trilho que fizemos juntos e deixaste para trás e, de quando em vez, a esperança de te ver no meu alcance, força-me a olhar para a retaguarda, para o local onde te deixei vencer! Impávido permaneces, uma atararaxia tomou-te e cegou-te das minhas verdadeiras intenções, desististe de mim, amigo que julgara fiel...

Traço novo trilho, com a ponta dos meus pés, por entre as ervas inquietadas pelo vento... mas não desisti de ti, quantas vezes olho de soslaio, esperando encontrar-te... Mas já me afastei demais e tu subiste aos etéreos céus sem um olhar sobranceiro... há ainda esperança para nós?

A dúvida acompanha-me ao longo de todo o caminho, não deixando que me abstenha de ti, mas outros me foram tomando as mãos deambulantes pelo itinerário que já trilhei... (lembro-me de ti...), abraços ferverosos me tomaram de carinhos... (lembro-me de ti...) olhares zelosos cuidaram de mim... (não consigo esquecer-me de ti...) mas perdi-te, ou não, meu velho amigo?

Sanguessugas: parasitas ou detentores de benefícios medicinais? (22/03/2007)

Ao ver uma postagem dirigida à minha pessoa no blog de um amigo, senti-me emocionalmente impelida a dar-lhe uma resposta.

É verdade, não sou Sanguessuga, mas Rocha, mas ainda assim, sinto que há já muito te conheço, como se de um laço familiar dependesse a nossa amizade... Mas pelo contrário, não foi há muito que te conheci, nem sequer temos qualquer ligação familiar (apesar da coincidência do "Rocha").

Enfim... mas não foi isto que nos uniu, e penso que os leitores deste blog têm todo o direito de conhecer a nossa insólita história...


Há quanto tempo nos cruzávamos, ora no Departamento de Línguas, numa ou outra aula que tínhamos juntos, ora na estação do comboio, ou mesmo no próprio comboio... mas nunca trocámos uma palavra sequer, penso até que nunca trocámos um olhar, por mais de soslaio que este surgisse... mas na verdade, eu sabia que existias, eras sempre o "bom rebelde" que insistia em chegar atrasado às aulas e, mais tarde, ao fim do dia, cruzáva-me contigo e pensava: "Olha, foi este o que chegou atrasado à aula!"


A verdade é que nenhum de nós se falava e apesar das rotinas que nos poderiam aproximar, insistimos num estado de perfeita apatia e assim continuámos durante muito tempo...

Foi preciso chegarmos ao último ano da licenciatura para, de quando em vez, nos sentarmos perto um do outro e, timidamente trocarmos umas palavras um tanto monossilábicas... até que um de nós perguntou:"vais de comboio embora?" - e assim iniciamos, nesse dia, um ritual que se iria repetir até ao fim do ano e que nunca mais me esquecerei.


Na rua, muitos eram os aveirenses que olhavam para o nosso grupo de esguelha, ora pelo barulho, ora pelas gargalhadas que entoavam pela Avenida Lourenço Peixinho e que, neste momento em que as recordo, são a banda sonora das minhas boas memórias dos meus anos nessa cidade.

No comboio, muitos eram os conterrâneos que olhavam para a nossa jovialidade e desinibição com uma certa nostalgia e saudosos do tempo em que podiam rir e falar assim, sem serem censurados, e não eram poucas as vezes que podíamos vislumbrar um sorriso acanhado nas faces de alguns.


Agora que recordo estes dias, noto quanto foram importantes para mim... quantas vezes aqueles 45minutos de comboio me exorcizaram e por momentos me fizeram sentir feliz, mesmo quando o não sentia no meu âmago...

Aqueles 70 Km deixaram então de ser tão morosos e, nessas alturas, muitas foram as vezes em que vi no tempo um inimigo que, de livre arbítrio, teimava em voar e passar por nós como se tivesse vida própria, escolhendo quando galopar e quando nos fazer esmurecer com a sua tardança...


Hoje e muitos dias, quando entro no comboio quase vazio e me sento no canto mais recolhido que encontrar, penso nesses momentos e recordo-os com um enorme carinho, pois foi num clima assim que encontrei talvez o único amigo dos tempos de Universidade... tu sim, Sanguessuga.


Por isso acabo a minha dissertação afirmando sempre (e com argumentos válidos), que a Sanguessuga não é somente um parasita, também suga o que de pior há em nossos corações para dar espaço para deixar muito boa gente entrar...


Um beijinho bem grande!





Tiago e Pedro (grandes amigos)
Ah! Lembram-se??? ;) Bons tempos!!

P.S. Peço desculpa a espíritos menos susceptíveis às emoções humanas pelo sentimentalismo desta minha postagem, mas teve de ser...:)

Último Fôlego (12/03/2007)


Escrevo, não poucas vezes, durante a noite, envolvida pela solidão do meu quarto... ébria graças à melodia nocturna que me envolve... escrevo enfim...
Quantos de vós não ireis dizer que escrevo sem qualquer labor? E quantos mais irão afirmar que o que digo não faz qualquer sentido? Não me interessa, apenas desejo escrever, ceder ao ímpeto criativo que assalta a minha alma, e escrevo então...

Perco-me na imensa escuridão
Que assola meu ser.
E, por entre sendas de traição,
Vejo-me esmorecer.

Procuro, no escuro, um porto seguro
Que me faça esquecer
E acreditar, que nada nesta vida,
Me há-de fazer parar.

Um último fôlego
Parece agora adormecer,
E sinto no meu âmago
A força desfalecer.

Procuro, na vida, o sangue sem ferida
Que me faça enaltecer
E ressuscitar desta morte prometida
Em que insisto mergulhar.

A um deus oculto,
Que escutar não parece,
Esta alma cansada entoa esta prece:

Na vastidão do Universo
Anseio apenas encontrar,
Estrela fulgurante
Que auspicie com seu brilhar.
E quem eu encontrar
Que dirija o meu leme,
Nesta vastidão de mar,
De quem já não ama… nem sequer teme.




História Antiga e Percursos Queirosianos (12/03/2007)

Eram sete horas da manhã do dia 28 de Fevereiro, a cidade do Porto ainda dormia e poucos eram os que se atreviam a entregar-se ao frio da madrugada. Porém, a essa hora e, neste dia em particular, a Rodrigues de Freitas via a sua fachada a ser povoada por alunos e professores com um destino especial: Lisboa.
Eu e a Sara tínhamos aceitado o simpático convite da Professora Isabel Vaz para acompanhar a nossa turma de Latim, o 10º E, numa visita ao Núcleo Arqueológico do Milenium BCP, na Rua dos Correeiros, à Lisboa vista por Eça de Queiroz e ao percurso de Carlos da Maia por Sintra. Não hesitámos e partimos, num dia que nascia cinzento, para a Capital
Parámos pela primeira vez em Pombal, numa estação de Serviço e o tempo teimava em não mudar, as nuvens escuras e a chuva eram já uma constante e até mesmo um pronuncio do que aquele dia iria ser.
De facto, chegados a Lisboa, já fora das horas combinadas, vimos o nosso receio confirmado: chovia e fazia frio, tal qual um verdadeiro dia de Inverno e víamo-nos obrigados a galgar algumas partes da cidade a pé de mochilas às costas, visto os autocarros não poderem lá aceder.
Eis que, depois de uma breve caminhada pelo Chiado acima, chegamos ao Núcleo Arqueológico de Milenium BCP, onde fomos muito bem recebidos.
Ficámos a perceber que, durante as escavações na construção de uma garagem para o banco, foram encontrados diferentes níveis de ruínas que correspondiam à ocupação daquele território por diversos povos, desde os Etruscos, aos Romanos, passando até pelo período posterior ao terramoto de 1755. Foi de facto muito interessante a visita, pudemos ver muralhas de habitações Etruscas e Tanques do tempo da Romanização, que eram utilizados a proveito da actividade piscatória, característica de uma zona litoral como é aquela. Foi-nos possível também ver vários utensílios utilizados pelos Romanos naquela actividade e não só, também objectos pessoais que foram perdidos nas areias dos tempos, tais com ganchos de senhoras, anéis e até mesmo algo que não é comum encontrar: um esqueleto humano.
Saímos do Núcleo e as condições meteorológicas haviam piorado e caminhámos novamente até ao ponto de encontro: a Confeitaria Suíça. Porém, o resto do grupo, que tinha ido visitar o Teatro Nacional de S. Carlos, atrasara-se. Decidimos então seguir para os Armazéns do Chiado, para podermos almoçar num sítio abrigado e, às 14h.30m. apanhámos o autocarro no Terreiro do Paço seguindo então para Sintra, onde nos haviam prometido uma visita guiada ao Castelo de Seteais, ao Palácio da Vila e ao Palácio da Pena… Mas chegados lá, para além de uma Professora que serviria de guia, esperava-nos uma chuva torrencial e a nossa visita ficou reduzida a uma comunicação acerca da história de Sintra escutada, mais ou menos de forma atenta, na escadaria do Palácio da Vila.
A chuva entretanto parou e pudemos vaguear um pouco pelas ruas e vielas da cidade antiga de Sintra, que se erguia sumptuosamente pela encosta da serra. Foi, sem dúvida, o momento mais divertido da visita e foi também neste pequeno devaneio que tivemos a possibilidade de provar os doces sabores das queijadinhas da “Piriquita” e dos travesseiros de Sintra.
Eram já 17h.30m. e chegara a hora de embarcarmos nos autocarros e nos despedirmos daquela cidade que, de forma tão fugaz nos vira ali aparecer. Começámos então a viagem de volta, primeiramente ao som da euforia natural dos alunos e depois num cansaço quase geral, que obrigou a maioria a cerrarem os olhos por instantes.
Apesar de todo o mau tempo e das pressas a que este nos obrigou, a visita foi enriquecedora, não só ao nível cultural, mas também ao nível pessoal, pois, pela primeira vez, tivemos a oportunidade de conviver com professores, com os nossos alunos e até com alunos que desconhecíamos até então, num contexto bem mais informal que o da escola. Ficam então memórias da nossa primeira visita de estudo como professoras…:)









Medeia, a feiticeira (08/03/2007)

Tal como grande parte dos mitos que nos chegaram da Antiguidade, para além de fantástico, o mito de Medeia é alvo de diversas versões, porém, há uma versão que domina, essa dita que Medeia seria filha do Rei Eetes da Cólquida e, por isso, neta do deus Sol. Não há certezas porém quanto à maternidade, alguns afirmam que é filha de Oceânide Idia e, portanto, sobrinha da feiticeira Circe, mas numa outra versão diz-se que Medeia é filha da deusa Hécate e, deste modo, irmã de Circe.
Em quase todas as repercussões literárias do mito, Medeia tornou-se o “protótipo da feiticeira”, o que Eurípides não deixa de evidenciar na sua tragédia, visto que é ela quem dá o unguento a Jasão para o proteger das queimaduras dos touros de Hefesto e que, por artes de encantamento, adormece habilmente a serpente que guardava o velo de ouro, objecto de cobiça por parte do estrangeiro. Tendo auxiliado no sucesso da sua empresa, faz Jasão prometer que se desposa com ela e uma vez conquistado o velo, Medeia foge com Jasão e os Argonautas, pois não só traíra o pai, como tomara como refém o seu próprio irmão, Apsirto, que matou e despedaçou, a fim de atrasar a perseguição de Eetes.
Chegados a Iolcos, Medeia conjura uma vingança que tem como alvo o tio de Jasão, Pélias de seu nome, que o enviara naquela missão quase impossível. Desta feita, convenceu as filhas daquele tirano de que, se o banhassem num caldo a ferver, o seu pai rejuvenesceria, e assim o fizeram, matando então o próprio pai pelo que os dois amantes vêm-se obrigados a partir.
Chegados a Corinto, aí viveram durante algum tempo até que o rei Creonte quis dar a sua filha em casamento ao herói. Assim, baniu Medeia que, transtornada conseguiu adiar a sua partida por um dia, o que lhe permitiu planear a sua vingança. Embebeu uma túnica, jóias e adornos em veneno e fez com que seus filhos os entregassem à sua rival, como que em forma de reconhecimento, mal o colocou, foi envolvida num fogo misterioso, tal com seu pai que viera em seu auxílio.
Porém, Eurípides veio acrescentar um facto polémico a este mito, ao imortaliza-lo com a sua peça "Medeia", foi esse então o episódio da morte de seus filhos. Enquanto algumas versões do mito relatam que os filhos de Medeia haviam sido lapidados pelos Coríntios, que os castigavam por terem levado a túnica e as jóias a Creúsa, Eurípides, pelo contrario, é o primeiro que tem a audácia de introduzir, no filantropo teatro grego, a morte das crianças levada a cabo pela mãe, Medeia, num acto de vingança para com o seu esposo Jasão.
Diz-se que Medeia partiu então para Atenas, certa da ajuda que Egeu lhe havia prometido, aí tentou fazer perecer Teseu em vão, pelo que foi novamente banida, desta feita de Atenas. Volta então à Cólquida, onde Perses já havia destituído seu pai do trono, e fez então com que o matassem para devolver o poder a seu pai.
Há uma tradição que veio acrescentar que Medeia não morreu, mas sim foi levada para os Campos Elísios, onde se uniu a Aquiles (tal como Ifigénia, Helena e Polixena).